Filmes, Listas

Os melhores filmes de 2017

É hora de dizer mais uma vez: ano novo, lista nova.

Como já é tradição aqui on blog, está na hora de colocar as cartas na mesa e escolher os dez filmes que mais me agradaram ao longo do ano passado. Tentei prezar diversos gêneros e, consequentemente, várias temáticas. No final da lista você encontrará um filme bônus (oficialmente ele ainda não estreou no Brasil).

Listas de anos anteriores: 2016, 2015, 2014

10º

Mulher-maravilha (Wonder woman)

2017, dirigido por: Patty Jenkins

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Pôster: B O N D, 2017

Um dos filmes mais elogiados de 2017, Mulher-maravilha soube escapar muito bem do estigma de ser “apenas mais um filme de super-herói”. Patty Jenkins e sua direção com um olhar cuidadoso para a imagem de representatividade da mulher dentro do universo proposto pela personagem da DC Comics fez do filme não apenas um manifesto, mas uma peça de entretenimento puro e muito válida, mostrando ao público todo um universo e construção de personagem que não perde para nenhum outro filme baseado em histórias em quadrinhos. A cereja do bolo, é claro, é a atuação plena de Gal Gadot.

Star Wars: os últimos jedi (Star Wars: the last jedi)

2017, dirigido por: Rian Johnson

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Pôster: LA, 2017

Esqueça a zona de conforto de J. J. Abrams e seu Episódio VII. Não que este seja ruim, mas Rian Johnson definitivamente deixou sua marca na saga Star Wars. Ousado, diferente e, ao mesmo tempo, resgatando os tão bem-vindos alívios cômicos da trilogia clássica, Os últimos jedi não apenas estabelece de vez a nova geração de Star Wars para as novas gerações dentro do público, como também deixa seu legado para o cânone criado por George Lucas. Não dê atenção para pessoas babacas e seus abaixo-assinados irrelevantes, The last jedi é filmaço de primeira categoria e diversão garantida.

Leia a resenha do filme aqui.

Corra! (Get out!)

2017, dirigido por: Jordan Peele

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Pôster: LA, 2017

Não espere que você saiba o que está acontecendo dentro desse filme. Corra! é imprevisível do início ao fim. E o roteiro vai jogar com você o tempo todo, subvertendo inclusive suas próprias obviedades. É um suspense? Sim. É um terror? Sim. É comédia? Doentia, mas sim. Para conferir Get out!, é bom estar com o estômago em dia, pois a atualidade dele vai dar uns belos socos no seu.

Leia a resenha do filme aqui.

Animais noturnos (Nocturnal animals)

2016, dirigido por: Tom Ford

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Pôster: B O N D, 2016

Animais noturnos não possui uma história complexa, muito menos efeitos especiais mirabolantes. Seu foco são seus personagens e como esses lidam com seus próprios sentimentos. A história dentro da história só complementa a força gerada por ressentimentos, ódio e, claro, vingança. Espere por composições de imagens estéticas e atuações primorosas de Amy Adams e Jake Gyllenhaal.

Leia a resenha do filme aqui.

Ao cair da noite (It comes at night)

2017, dirigido por: Trey Edward Shults

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Pôster: InSync Plus, 2017

Dentro de uma onda de filmes de terror cada vez mais autorais e que fogem do estereótipo de que terror equivale a um filme ruim, com personagens rasos e histórias mais finas ainda, Ao cair da noite não é um exemplo que irá deixar você satisfeito. Em nenhum momento ele entrega o que o público quer ou precisa ver. Seu suspense é baseado justamente naquilo que tememos por não sermos capazes de vê-lo. Angustiantes, claustrofóbico e visceral.

Dunkirk (Dunkirk)

2017, dirigido por: Christopher Nolan

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Pôster: WORKS ADV, 2017

Para quem estava acostumado com um Christopher Nolan entregando filmes do Batman com roteiros complexos e desenvolvimento profundo de personagens, ou mesmo filmes com conceitos complexos como A origem (Inception, 2010), Dunkirk pode parecer um longa incompleto, sem nexo. Mas não se engane: o protagonista aqui é a própria guerra enfrentada pelos personagens. Dunkirk é cinema puro: no som e na imagem. O ideal é assisti-lo com uma tela e sistema de sons à altura, para que a experiência seja completa e você se sinta, mesmo que por menos de duas horas, dentro de uma guerra. Terrível.

Leia a resenha do filme aqui.

O filme da minha vida

2017, dirigido por: Selton Mello

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Pôster: Vitrine Filmes, 2017

Está na hora de você parar com essa bobagem de que filme nacional é uma porcaria. Claro que muitos filmes produzidos no nosso país nem merecem ser chamados de “filmes”, tamanha acefalia nos vários exemplos que vemos por aí. O filme da minha vida, porém, vem para tirar de vez essa impressão e, consequentemente, injustiça que praticamos contra o cinema pensado e produzido aqui. Seguindo a imensa qualidade de seu longa anterior, O palhaço (2011), o ator Selton Mello dirige aqui um regionalismo com maestria e serenidade. Destaque para a belíssima fotografia que evoca, em seu tom sépia, uma nostalgia doce, mas, ao mesmo tempo, dolorosa.

A chegada (Arrival)

2016, dirigido por: Denis Villeneuve

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Pôster: Empire Design, 2016

Aparentemente o canadense Denis Villeneuve não consegue fazer um filme ruim. Aqui, o diretor nos apresenta o que poderia ser mais um filme de invasão alienígena, não fosse pelo fato de A chegada não colocar a invasão em si em primeiro lugar; o foco, aqui, é a linguagem: como vamos nos comunicar com esses seres? E como é a linguagem deles? Todos os segredos e enigmas do filme giram em torno da linguagem. Obra-prima, incluindo sua trilha-sonora arrepiante.

Leia a resenha do filme aqui.

It: a coisa (It)

2017, dirigido por: Andy Muschietti

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Pôster: cold open, 2017

A produção de It remonta ao início da década. Mudança de diretores, roteiristas e por aí vai. O que parecia impossível acontecer devido às circunstâncias foi, talvez, a principal supresa positiva dentro do cinema blockbuster de 2017. Baseado em uma das consideradas obras-primas de Stephen King, It: a coisa é uma homenagem não apenas aos grandes monstros e fantasmas das histórias de terror, mas à infância em si. Equilibrando muito bem as doses de sustos e horror com os risos (voluntários ou não), It com toda a certeza foi a melhor opção de entretenimento no ano que passou. Finalmente valeu a pena esperar anos e anos por um filme sair do papel. Estamos ansiosos desde já para o próximo capítulo da história, previsto para 2019.

Leia a resenha do filme aqui.

E aqui há a resenha para o livro de Stephen King.

Moonlight: sob a luz do luar (Moonlight)

2016, dirigido por: Barry Jenkins

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Pôster: InSync Plus, 2016

Poético como versos doces ou música inspirada, arrebatador como um soco no rosto. Moonlight não apenas mereceu seu Oscar de Melhor Filme em 2017, era uma obrigação premiá-lo por sua coragem, sua narrativa fílmica exemplar e sua temática mais do que necessária. A discussão aqui não é apenas em relação aos LGBTs, mas também em relação aos negros e como eles – ainda, infelizmente – estão relegados às margens de nossa sociedade. Não espere por finais felizes.

Cena pós-créditos

Me chame pelo seu nome (Call me by your name)

2017, dirigido por: Luca Guadagnino

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Pôster: Sony Pictures Classics, 2017

Sensação do final do ano, Me chame pelo seu nome está arrebatando críticos por todos os festivais em que passa. Queridinho das premiações agora no começo de 2018, o longa realmente não decepciona, seja por seu retrato fidedigno de um verão europeu rodeado por estudiosos, piscinas, praias e pêssegos saboreados de diversas formas, seja pela atuação monstra de Timothée Chalamet ao lado de Armie Hammer. Destaque também para as composições originais de Sufjan Stevens que permeiam o filme e ditam ainda mais o clima de primeiro-amor.

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Filmes

Star Wars: os últimos jedi

Se você prestar bastante atenção, Os últimos jedi (Star Wars: the last jedi, 2017) possui uma tríade de personagens que representam muito bem seus vários tipos de fãs. Tem-se, ali, Luke Skywalker (interpretado por Mark Hamill), o que é análogo aos fãs mais exigentes – poderia chamá-los de babacas, em muitos casos, mas vamos imaginar que vivemos em um mundo ideal; tem-se, também, a heroína Rey (interpretada por Daisy Ridley), representante do fã empolgado, aquele que precisa, mais do que tudo, ver o que acontecerá caso o fã exigente concorde com suas propostas; e, por último, tem-se Kylo Ren (interpretado por Adam Driver), o fã que já cansou de todo o bê-a-bá dos filmes mais antigos e precisa urgentemente recomeçar com ares novos uma franquia que já dura assustadores 40 anos.

A sorte de Os últimos jedi foi ter caído nas mãos de Rian Johnson. Diretor de poucos filmes (apenas um despontou mais no meio hollywoodiano – Looper: assassinos do futuro) e, entre outros, do episódio que talvez gerou mais polêmica dentro da série Breaking bad (“Fly” – isso mesmo, o famigerado episódio da mosca), Johnson permaneceu com uma bomba-relógio em suas mãos por pelo menos dois anos desde a estreia bem sucedida de O despertar da força (Star Wars: the force awakens, 2015), pois, além de dar continuidade a uma das sagas com mais fãs em sua base, o diretor precisava trazer ares novos, assim como Kylo Rey deseja, mais do que tudo, dentro desse Episódio VIII. E digo que o filme teve sorte ao cair nas mãos de Rian Johnson porque, sim, Os últimos jedi é um filme muito interessante, diga-se de passagem. E o que o torna mais interessante talvez seja a ousadia pontuada de Johnson (que também escreveu o roteiro); pontuada pois o oitavo episódio de Star Wars não é um filme com mudanças espetaculares de roteiro ou cheio de ameaças ao cânone de George Lucas: Johnson sabe em que terreno está pisando e vai adicionar elementos aqui e ali que mudam o tom dentro dessa nova trilogia, mas talvez sem que o público, no geral, perceba. A saber.

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Imagem: Lucasfilm / Walt Disney Pictures, 2017

Apesar de presente também no filme anterior, o alívio cômico é mais endossado nesse. É um detalhe que pode não pesar muito na balança final de “coisas que prejudicaram ou ajudaram o novo Star Wars”, se você pensar com cuidado, mas não esqueçamos de seu princípio básico: a diversão. Ora, ainda estamos falando de um filme, em sua, de aventura. Envolve aspectos de sci-fi, obviamente, mas Star Wars não deve ser desclassificado como um bom e velho filme-pipoca. É claro que toda a proporção alcançada pela saga eclipsou essa característica tão esquecida nos filmes do gênero atuais. Lembro-me, inclusive, que o último mais agradável nesse sentido, a ponto de dar um fôlego mais do que bem-vindo à filmografia de Steven Spielberg foi em 2011, com Tintim. É um filme que abraça os conceitos do filme-aventura e cria sequências de ação de encher os olhos e, ao mesmo tempo, não deixa de lado a comicidade das situações ali presentes. Há momentos, em Os últimos jedi, que um determinado comentário, um certo trejeito em um personagem ou até mesmo humor físico são empregados para que a plateia se divirta. E isso não é um crime à nossa inteligência.

Se em O despertar da força não poderia faltar os flares característicos de J. J. Abrams dentro de sua fotografia, Os últimos jedi traz rimas visuais esteticamente muito bonitas. Mas não para apenas na estética, Rian Johnson e o diretor de fotografia Steve Yedlin (parceiro de Johnson em outros dois longas do diretor e também responsável pela fotografia da adaptação mais recente de Carrie: a estranha, 2013) empregam significados muito particulares em cada rima ou sobreplano. E o mais interessante: não são significados impossíveis ou “cults” demais para o grande público não entender; são casos como quando Rey encontra-se contra a câmera, sua silhueta recortada pelo cenário que a envolve, para, logo depois do corte, vermos Kylo Ren na mesma posição de câmera, quase que “substituindo” a personagem anterior, num contraste bonito esteticamente falando e, ao mesmo tempo, com grande significado para a história ali contada. Johnson também retoma elementos clássicos do cinema, como uma cena de grande tempestade quando as personagens presentes encontram-se em um embate, ou uma fotografia bem avermelhada para introduzir o vilão do filme.

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Imagem: Lucasfilm / Walt Disney Pictures, 2017

Comentei ali em cima um pouco da característica aventuresca do filme a partir do humor e dos alívios cômicos. Mas The last jedi vai além do humor nesse sentido. Há grandes sequências de ação para agradar os fãs, sejam os mais exigentes ou os presentes apenas pela diversão; em destaque: a sequência inicial com o piloto Poe Dameron (interpretado por Oscar Isaac) e seu fiel amigo de lata BB-8 e a debandada protagonizada por Finn (interpretado por John Boyega) e uma das novas personagens Rose (interpretada por Kelly Marie Tran). Ambas as cenas mostram o poder de entretenimento que Star Wars ainda pode produzir com suas novas histórias, mas, além disso, provam que Johnson é um diretor ciente de seu público diversificado a partir da introdução da saga com The force awakens: é preciso mostrar o que o público mais antigo e conservador quer ver e, ao mesmo tempo, introduzir elementos novos ou esquecidos para que o público novo e “transgressor” saia da sessão satisfeito. Não é um equilíbrio fácil de se encontrar e, quando encontrado, acertá-lo de maneira interessante; mas, ao aliar tais elementos de aventura e, além disso, introduzir aos poucos novas personagens – além de Rose, temos agora a presença da Vice-Almirante Holdo (interpretada por Laura Dern, fazendo os corações dos fãs de Jurassic Park suspirarem) -, Rian Johnson consegue entregar um episódio que sustenta a responsabilidade de toda a exigência de diversas gerações de público.

Aos poucos, a Disney começa a realizar aquilo que o “fã-Kylo-Ren” deseja: o que ficou no passado, é pra deixar lá. Com respeito, é claro, mas ainda assim é melhor deixar no passado. Não é à toa seu grande investimento em histórias paralelas que preencham lacunas no universo Star Wars, trazendo diretores com um pegada um pouco mais indie em Rogue One, por exemplo, e seguindo a tática de entregar o primeiro episódio da nova trilogia (a introdução para novas gerações de fãs e, consequentemente, novos consumidores de Star Wars) para mãos mais seguras, passar o bastão para um diretor mais “ousado”, em termos, no episódio de transição e, lá no final da trilogia, voltar para o colo mais seguro. É um projeto de saga bem seguro, devemos admitir. Por enquanto, tudo corre dentro do esperado; mesmo para um episódio de transição, o que mais pode gerar problemas por não conter, em tese, nem o começo nem o final da história (é só lembrarmos de grandes exemplos, como As duas torres, 2002, e O baú da morte, 2005, além de outros episódios de transição fora de trilogias, como Harry Potter e o enigma do príncipe, 2009), Os últimos jedi agrada por não carregar o peso de ser uma transição, é um filme que não faz questão de vestir tal designação e, justamente por isso, funciona muito bem.

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Imagem: Lucasfilm / Walt Disney Pictures, 2017

Em 2015, eu escrevi que restava saber se, para os próximos filmes, a Disney iria além da introdução de novos personagens. Parece que a Força ainda está com todos nós.

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Pôster: B O N D, 2017

Star Wars: the last jedi, escrito e dirigido por: Rian Johnson.

Com: Carrie Fisher, Mark Hamill, Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Domhall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Benicio Del Toro, Frank Oz, Joonas Suotamo

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