Filmes, Listas

Os melhores filmes de 2018

10º

Jogador Nº 1 (Ready Player One)

2018, dirigido por: Steven Spielberg

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Pôster: BO N D, 2018

Provavelmente não é o melhor filme do diretor que nos trouxe de volta dinossauros adormecidos há 65 milhões de anos ou conferiu camadas de realismo e comédia ao detetive mais topetudo – literalmente – que a Bélgica já inventou, mas se sua intenção é assistir a um filme blockbuster repleto de cenas de ação, inventividade e inúmeras referências aos anos 80 (contando com uma sequência primorosa que recria um dos clássicos de Stanley Kubrick), talvez Jogador Nº 1 seja sua opção mais segura para este ano. O filme vai sobreviver às décadas que virão e vai se tornar um clássico? Com o currículo de Steven Spielberg, muito possivelmente não, mas vale pela diversão e pelas risadas.

Halloween (Halloween)

2018, dirigido por: David Gordon Green

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Pôster: LA, 2018

Não fosse pelas inúmeras sequências e remakes já realizados, eu poderia aqui dizer que seria arriscado continuar a história de um já clássico cult dos filmes de terror. No entanto, o Halloween de 40 anos depois de seu original soa fresco, revigorante e – o mais importante aqui – assustador. Não assustador a ponto de deixar o espectador sem dormir durante uma semana, é claro, mas a tensão gerada por suas sequências de perseguição e o uso de steadycam não só lembram a criação de John Carpenter, como também apresenta às novas gerações o que um bom filme de serial killer pode mostrar de verdade. E diferentemente das sequências e refilmagens realizadas nas décadas passadas, este Halloween conta com a segurança de nada menos que sua própria scream queen Jamie Lee Curtis na produção, além do patrono John Carpenter. Arrepie-se mais uma vez com a famigerada trilha sonora clássica e o andar lento de Michael Myers

Bohemian Rhapsody (Bohemian Rhapsody)

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Pôster: WORKS ADV, 2018

2018, dirigido por: Bryan Singer

Bohemian Rhapsody pode se encaixar em vários gêneros fílmicos, pois vai desde uma biografia até o filme-pipoca. Emocionante, divertido e, em alguns momentos, também engraçado, a trajetória da banda Queen aqui retratada pode não se ater completamente aos fatos reais, mas faz uso dessa “licença poética” para aprimorar a dramatização do que foi a vida de Freddie Mercury, Roger Taylor, Brian May e John Deacon. Repleto de músicas da banda mais diversa do rock de todos os tempos, o filme ainda ousa – e consegue – recriar a antológica apresentação no Live Aid de maneira impecável. Era necessário? Não. Funcionou plenamente para a catarse do filme? Com toda a certeza.

Leia a resenha do filme aqui.

Missão: impossível – Efeito Fallout  (Mission: impossible – Fallout)

2018, dirigido por: Christopher McQuarrie

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Pôster: LA, 2018

Ser uma franquia de ação em plena atividade desde a metade dos anos 90 e continuar gerando milhões e milhões de bilheteria não é um feito a ser ignorado. Mesmo para aqueles que não são amantes dos filmes de ação praticamente sem roteiro e com direito a muitas explosões sem sentido (cof, cof, Michael Bay), Missão: impossível é irresistível. Apesar de alguns tropeços terem ocorrido, como no sofrível segundo capítulo, a série de filmes parece ter ganhado um novo e revigorado fôlego nas mãos de Christopher McQuarrie, responsável pelos roteiros e direção deste e do filme anterior. Claro, não seria possível encontrar-se no patamar atual se não fosse pelo sensacional Protocolo fantasma, de 2011, dirigido por Brad Bird, é bom lembrar. Porém, é em Efeito Fallout que talvez a série Missão: impossível atinge seu ápice. Não abandonando a fórmula de misturar ação, toques de humor e sequências de tirar o fôlego, o vigor do filme só se compara à entrega completa que seu protagonista veterano, Tom Cruise, faz do início ao fim.

A forma da água (The shape of water)

2017, dirigido por: Guillermo del Toro

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Pôster: MIDNIGHT OIL, 2017

Muita gente torceu o nariz para a última produção de Guillermo del Toro, talvez porque ela tenha sido ovacionada em praticamente todas as competições e premiações pelas quais passou. Seu apogeu, é claro, foi a consagração com os Oscar, principalmente, de Melhor Direção e Melhor Filme. Apesar de ter competido com o ótimo Três anúncios para um crimeA forma da água ser reconhecido como Melhor Filme pela Academia não foi um erro, a meu ver. Além de sua homenagem direta e indireta para a sétima arte, o filme do mexicano presta seu respeito também para as minorias. De maneira sutil e artística, A forma da água é uma ode aos desajustados. Ao apresentar uma mulher como protagonista, cuja melhor amiga é negra e o melhor amigo é gay, e que enfrenta um vilão homem, heterossexual e branco, os subtextos da história não podem e não devem ser ignorados. Isso tudo sem contar a extrema beleza – no sentido estético mesmo – com que nossos olhos são brindados com sua fotografia, seu design de produção e também seu figurino.

Três anúncios para um crime (Three billboards outside Ebbing, Missouri)

2017, dirigido por: Martin McDonagh

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Pôster: B O N D, 2017

Cru, cáustico e doloroso. Talvez sejam três palavras mais apropriadas para definir Três anúncios para um crime. Não apenas a motivação principal que leva Mildred, sua protagonista, a colocar três outdoors para escancarar um crime e a consequente vergonha que o cerca por causa da polícia local, o filme faz questão de retratar ali tipos extremamente interessantes que fazem a história borbulhar o ódio e a vingança estampados na sempre excelente Frances McDormand. Além disso, Três anúncios para um crime conta com sequências cinematográficas elaboradas, como a da grande discussão que se passa entre um policial e outro personagem, culminando em consequências as quais apresentam o principal motivador da população de Ebbing: o preconceito.

Viva: a vida é uma festa (Coco)

2017, dirigido por: Lee Unkrich e Adrian Molina

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Pôster: eclipse, 2017

Se a Disney, agora dona da Pixar, da Marvel, de você, de mim e de todos nós, anda decepcionando com sequências desnecessárias a já clássicos como Procurando Nemo ou, ainda mais, decidiu embarcar de vez no terreno ainda desconhecido dos filmes live action, essa desconfiança não pode se aplicar a Viva. Ao mesmo tempo com uma estrutura clássica do protagonista que precisa enfrentar a própria família para provar que seus gostos artísticos são importantes e inventivo ao recriar em animação toda uma rica cultura proveniente do povo mexicano, o filme também conta com referências ao mito de entrar no submundo (ou mundo dos mortos), uma história contatada pelos nossos antigos antepassados, na Roma e na Grécia. Mas as principais características e, consequentemente, virtudes de Viva são a leveza e a delicadeza com que trabalha uma questão nem sempre fácil: a morte. Prepare os lencinhos, a carga emotiva é fortíssima.

Um lugar silencioso (A quiet place)

2018, dirigido por: John Krasinski

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Pôster: BLT Communications, LLC, 2018

Em meio a um mar de filmes inúteis que cada vez mais mancham o gênero terror, é muito revigorante ser brindado com gratas surpresas como Um lugar silencioso. Surpreendente não apenas pelo fato de revelar o ator John Krasinski como um excelente e promissor diretor cinematográfico, o filme faz o espectador temer a presença do som – que, mais do que a imagem em um filme de terror, é essencial para a trama se desenvolver -, o que já o torna um interessante exercício de cinema de gênero. Além da história original, é impossível deixar de admirar as atuações de Emily Blunt e, principalmente, dos filhos, Millicent Simmonds e Noah Jupe. O que uma ótima direção não faz para que um filme flua de maneira impecável.

Me chame pelo seu nome (Call me by your name)

2017, dirigido por: Luca Guadagnino

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Um filme que brinda ao verão e ao amor de verão é uma boa tentativa de definir Me chame pelo seu nome. O longa mistura a leveza e a intensidade do amor entre Elio e Oliver sem cair em clichês e tendências perigosas que tratariam o relato em mais um filme específico para o público GLBT. Me chame pelo seu nome nada mais é do que a história de um amor entre duas pessoas, acima de tudo, e uma das cenas finais, em um diálogo entre Elio e seu pai, prova a delicadeza com que o roteiro pretendia desde o início. Destaque também para a ótima trilha-sonora, que conta com composições de Sufjan Stevens.

Leia a resenha do filme aqui.

Hereditário (Hereditary)

2018, dirigido por: Ari Aster

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Pôster: Gravillis Inc., 2018

Se Viva trata do tema morte com a delicadeza que um filme voltado para o público infantil exige, Hereditário é o extremo oposto desse espectro. Assim como Um lugar silencioso surpreendeu por sua originalidade e direção primorosa, este é exemplo de que o terror não é um gênero menor, e muito menos está esquecido pelos grandes diretores. E apesar de ser sua estreia, o diretor Ari Aster nos entrega uma obra não apenas ousada em sua frequente construção de cenários, sequências e sons com a intenção de arquitetar uma tensão pesada, mas também inventiva, seja em como apresenta os elementos de terror – reflexos de luzes representando espíritos, corpos flutuantes em meio a uma ausência de sons -, seja no trabalho cuidadoso com os atores, que se entregam aos papeis. Além de todos esses elementos, Hereditário também traz uma trilha-sonora claustrofóbico, imergindo ainda mais o espectador no terror – que, ainda bem, não é óbvio em nenhum aspecto.

Leia a resenha do filme aqui.

Listas de anos anteriores: 20172016, 2015, 2014

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Listas, Música

Os melhores discos de 2018

Nem só de brigas por política, memes e tristezas vive o brasileiro. O último mês do ano, além de sua parada obrigatória no especial de final de ano do Roberto Carlos e da retrospectiva na Globo que existe para nos deprimir, é o momento ideal para fazer aquelas listinhas preciosas de melhores alguma coisa.

Podemos dizer que 2018 foi um ano interessante para os lançamentos musicais, e a lista que você vai conferir daqui a pouco foi uma tentativa de percorrer por diversos gêneros musicais, sem deixar de ouvir um bom indie ou pop, os estilos que mais me agradam.

Como toda edição, nesse link você pode conferir os melhores discos do ano passado.

Deixe seus preconceitos de lado e confira agora os doze melhores álbuns deste ano, na minha singela opinião.

“Dancing queen”, por Cher

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Tentar apresentar Cher em poucas linhas é uma tarefa impossível e até inapropriada. A longeva carreira e as inúmeras atuações no entretenimento, que transpõem o mundo musical, fazem de Cher não apenas uma grande artista, mas principalmente um ícone consolidado do mundo pop. Para alegria geral dos fãs de outro ícone pop, a banda sueca ABBA, Cher decidiu ir além de sua participação no filme Mamma mia! Lá vamos nós de novo (Mamma mia! Here we go again, 2018) e lançou um álbum de estúdio com covers de algumas músicas daqueles que nos trouxeram inúmeros hits nos anos 70 e 80. Com uma roupagem atual, mas sem perder a essência abbesca, as versões cantadas por Cher podem soar estranhas em um primeiro momento, principalmente para aqueles acostumados com as originais por tanto tempo – isso devido ao fato do ABBA raramente liberar suas canções para que outros as utilizem como samples ou mesmo como covers -, mas, em uma segunda audição, dificilmente Dancing queen irá desagradar. De versões mais próximas das originais como a faixa-título (dificilmente um cover muito peculiar de “Dancing queen” soaria bom) até outras com toques mais particulares de Cher, como “Waterloo” e sua batida forte, com um apelo muito mais dançante, ou “Chiquitita” e seu ar flamenco, Dancing queen é fácil um dos melhores álbuns lançados esse ano, ainda mais para quem gosta de um bom e velho pop para não botar defeito.

» “SOS

“Chris”, por Christine and the Queens

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Esteja preparado para Christine and the Queens. A francesa é um ótimo exemplo para rebater aqueles que dizem que o alternativo não inova mais. Com sua voz forte, seus arranjos eletrônicos e as letras cheias de uma crueza e causticidade muito peculiares, o álbum – lançado em duas versões, uma no original francês e outra para o mercado internacional, em inglês – lembra muito a sonoridade de algumas cantoras brasileiras dos anos 80 e 90, como Deborah Blando e Marina Lima. Além disso, suas músicas trazem um tom de melancolia que se confunde com as batidas e sintetizadores espalhados ao longo das onze faixas. Não há como passar batido pelo niilismo e flertes com o suicídio em “Doesn’t matter” ou pelo feminismo cru e direto em “Damn (what must a womann do)”. E não para por aí: Christine and the Queens ainda desconstrói a obra do pintor Goya em “Goya Soda” e critica de leve a liquidez dos relacionamentos atuais com “What’s-her-face”.

» “Doesn’t matter

“Happy xmas”, por Eric Clapton

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Assim como Cher dispensa preâmbulos para o mundo pop, Eric Clapton também o faz quando falamos sobre blues. O guitarrista coleciona invejáveis números ao longo de sua extensa carreira, mas o que parecia uma ideia completamente deslocada para a imagem que representa no imaginário coletivo acabou acontecendo agora em 2018: um disco de Natal. É comum, principalmente para os mercados fonográficos americano e europeu, artistas lançarem um álbum temático no período de fim de ano, especialmente quando se fala sobre Natal. Na maioria das vezes com intenções puramente mercadológicas, um álbum de Natal, no geral, costuma ter reações extremas por parte do público: ou faz muito sucesso, ou se torna um fracasso completo. Tratando-se de Eric Clapton, a estranheza de se estar prestes a ouvir um álbum natalino do Eric Clapton se esvai em questão de segundos logo nos primeiros acordes da primeira faixa, “White Christmas”. O artista não decepciona seus fãs de longa data, assim como os novos ouvintes. Num misto de regravações de tradicionais músicas natalinas e composições próprias para o álbum, Clapton faz de Happy xmas um agradável, surpreendente e delicioso álbum de blues natalino. Destaque também para sua versão de “Silent night”: um misto de música gospel, blues e mais outros elementos que a tornam uma “Noite feliz” como nunca antes ouvida.

» “Home for the holidays

“God’s favorite costumer”, por Father John Misty

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Josh Tillman já passou por algumas bandas, inclusive pelos Fleet Foxes. Mas, de uns anos para cá, parece que o moniker Father John Misty lhe caiu bem. E é o que o seu trabalho mais recente, God’s favorite costumer sugere através das belas composições. Evocando um Elton John de início de carreira, com mistos de artista solitário tocando em um pub, Tillman traz, com suas letras, um humor que pende entre o autoparódico e o amargurado, falando sobre encontros, poemas e a tarefa de um compositor. God’s favorite costumer sugere sua melancolia e contemplação ao nada desde a capa, inclusive, mostrando um Father John Misty à la David Bowie, banhado em cores que tornam sua tristeza ainda mais proeminente. Caso você esteja procurando um artista novo para ouvir, eis sua chance.

» “Date night

“Man of the woods”, por Justin Timberlake

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Nascido em uma carreira de menino prodígio dentro da TV, transposto para uma boyband e catapultado para o sucesso de uma carreira solo, é inegável o talento de Justin Timberlake. Aventurando-se no cinema também como ator, o cantor nunca deixou de lado sua veia musical, que é forte. A aclamação da crítica chegou em seu álbum de estúdio de 2006, FutureSex/LoveSounds, permaneceu com The 20/20 experience, de 2013 e, agora, alça mais voos com o indiscutivelmente ótimo Man of the woods. Trabalhando com colaboradores de longa data como Timbaland, Danja e The Neptunes (especialmente  Pharrell Williams), o som desse novo trabalho é um jam interminável, com músicas que aumentam o ritmo do álbum em um crescendo aparentemente sem fim, chegando a um ápice quase transcendental. Do início cheio de volúpia com “Filthy” e os interlúdios que referenciam a temática permeada no título e no conceito de mundo selvagem e como fazer parte dele, Man of the woods é, ao mesmo tempo, uma originalidade exercitada pelo já estilo consagrado de Timberlake e sua reverência a mestres como Michael Jackson.

» “Filthy

“Golden”, por Kylie Minogue

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Se Madonna é a Rainha do Pop e Britney Spears a Princesa, em que patamar colocamos Kylie Minogue? A resposta mais tranquila e direta é: em nenhum. Minogue não é uma artista que se mistura à gentalha, como diria Dona Florinda, mas, aqui, é num bom sentido. Isso porque sua elegância e bom gosto em todos os elementos que relaciona com sua música a impedem de estar no patamar do pop farofa das demais cantoras e divas pop. Não me entenda mal, o pop farofa também é preciso. Mas Kylie Minogue compõe o pop às vezes chiclete, às vezes europeu demais para bombar no rádio ou torná-la a cantora mais conhecida de todos os tempos. No fundo, Kylie Minogue não precisa disso. Sua carreira, mais consolidada do que nunca agora com o lançamento de Golden, prova que, para fazer sucesso, não é preciso apelar. Golden, aliás, é a incursão da cantora em terras até então não visitadas, como a música country e a influência do som de Nashville, cidade americana que influenciou a temática e as letras do álbum, sem contar os arranjos. Assim, apesar de soar estranho em um primeiro momento, logo os ouvidos se acostumam com os banjos, violinos e violões de todos os tipos ao longo das músicas. É claro que há os singles prontos, como em qualquer outro disco de Kylie Minogue; aqui, no caso, falo do carro-chefe “Dancing”, da ótima “Stop me from falling” e da poderosa “Live a little”. Mas existe espaço para incursões mais profundas no country propriamente dito, como “A lifetime to repair” e um pop mais etéreo como em “Lost without you”. Mais uma vez, a australiana acerta a mão.

» “Dancing

“When the night calls”, por Mt. Desolation

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O projeto paralelo do ex-Keane Tim Rice-Oxley que teve início em 2010 mudou. Se há oito anos a intenção era formar uma banda de country-folk alternativo a partir de integrantes de várias outras bandas, agora a composição ficou mais enxuta. Resumida basicamente nos dois integrantes principais do começo, o próprio Tim e Jesse Quin, Mt. Desolation demorou longos e arrastados oito anos para lançar seu segundo álbum de estúdio. Entre o primeiro e esse atual, nada relativo à banda pareceu surgir na internet. Após o fim do Keane, aparentemente Tim e Jesse decidiram trabalhar novamente no projeto e When the night calls foi parido. Para os fãs, a espera compensou. Apesar de não ter a mesma bad vibe do álbum de estreia, o novo trabalho não deixa a desejar nesse aspecto: faixas como “By the river” e “Valentine” provam que Mt. Desolation existe ainda para falar das tristezas da vida. Mas o lado oposto também aparece – e mais nesse disco – para dar uma animada, com músicas como “Someday, somehow” e, podemos até ousar chamá-la assim, a dançante “How to fly”. Se country alternativo era um gênero que você jamais achou que existia, está na hora de dar uma olhada em Mt. Desolation.

» “On your way

“Simulation theory”, por Muse

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Se em 2009 o álbum The resistance apareceu para tornar Muse mainstream de uma maneira sem volta, talvez The 2nd law, o trabalho seguinte, de 2012, deixou mais claro que a banda agora era, de vez, mais uma que lotaria estádios para shows pirotécnicos e catarses sem fim. O misto de cordas e eletrônico sempre esteve presente em sua discografia, mas em Simulation theory, seu novo trabalho, tudo atinge um outro patamar. Isso porque, na parte eletrônica, a banda decidiu tirar todos os sintetizadores do baú e colocá-los para brilhar na maior parte do álbum. Assim, ao ouvir o novo disco, facilmente é possível fazer ligações com trilhas-sonoras que abusam do recurso oitentista, como a do filme Tron: o legado (Tron legacy, 2010) e da série Stranger things, da Netflix. No geral, não é algo que incomoda, apesar de soar um apelo mais comercial do que conceitual. De qualquer maneira, não é um álbum descartável, com uma abertura já apoteótica com “Algorithm” e, logo na sequência, a arrasa-quarteirões “The dark side”. Há um flerte com um Daft Punk da era Human after all em “Propaganda” e de Discovery em “Blockades” – esta, inclusive, lembra muito as músicas do Muse em The resistance – além de uma quase-balada em “Something Human”. No geral, por tomarem um caminho mais fechado com o estilo anos 80, talvez Simulation theory não resista ao tempo. A conferir.

» “Algorithm

“Egypt station”, por Paul McCartney

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Talvez Egypt Station seja um 8 ou 80 para os fãs do ex-beatle. Isso porque, além de Paul McCartney permitir influências de produtores atuais na maioria das faixas – algo preocupante para fãs de longa data, no sentido de a “originalidade” de Paul não ficar tanto em evidência -, Egypt station é um álbum conceitual. Não à toa, a faixa de abertura é um prólogo de poucos segundos apenas com sons reais de uma estação de trem. Ou seja, conceitualmente Paul McCartney vai nos levar para uma viagem de trem, passando por diversas estações – e cada música seguinte representa uma delas. De início, “I don’t know” já mostra um McCartney a todo vapor, numa balada formada por voz e piano, para logo depois pararmos na estação “Come on to me”, um pop-rock chiclete, com direito a riffs viciantes e uma batida ritmada que dificilmente vai sair da cabeça depois de uma primeira audição. As duas músicas, inclusive, foram escolhidas para formarem o primeiro single do disco. Há, também, incursões mais, digamos, diferentonas para a carreira de Paul McCartney, como nas faixas “Who cares” e “Fuh you” – esta provavelmente vai enfurecer alguns fãs, já que possui um letra bastante rasa, muito incomum na carreira solo do ex-beatle. Inclusive há uma parada no Brasil com “Back in Brazil”. É cheia de clichês musicais na visão do gringo que olha nosso país lá de fora? Sim. Mas dá para perdoar por ser Paul McCartney? Claro.

» “Back in Brazil

“Young romance”, por Roosevelt

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Se você é alguém que gosta de um pop alternativo, com elementos eletrônicos e uma camada de sons etéreos, está perdendo tempo se não ouviu Roosevelt ainda. O alemão (mas que canta em inglês) surgiu mais proeminentemente em 2016 com suas estreia homônima, um álbum irretocável. Agora, dois anos depois, o cantor nos brinda com mais uma joia rara da atualidade com Young romance. Os elementos eletrônicos continuam no centro das atenções aqui, mas, assim como o próprio trabalho com as imagens de capa e videoclipes sugere, Young romance é um álbum muito mais ensolarado que o Roosevelt. Do introspectivo para o expansivo, Roosevelt não decepciona. Expande seus horizontes, na verdade, ao trazer camadas mais alegres com “Under the sun” e a ótima “Losing touch” – impossível ao menos não batucar os pés com esta última. Ainda há, porém, espaço para a contemplação mais amena, como em “Yr love” e “Getaway”. Espere também por ouvir metais inspirados como no final de “Shadows” e uma bateria forte em “Illusions”, como o artista já fazia lá no seu primeiro álbum.

» “Losing touch

“Brasileiro”, por Silva

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Aparentemente os dias de synth pop alternativo do nacional Silva acabaram. O cantor, que começou de maneira literalmente tímida no cenário musical brasileiro, alçou voos cada vez maiores, saindo do introspectivo Claridão, de 2012, para o mais conceitual e alegre Vista pro mar, de 2014. Em 2015, tornou o simples uma virtude com o econômico em arranjos Júpiter. Parou um tempo para se dedicar ao projeto de covers Silva canta Marisa, o que já demonstrava sua inclinação para caminhos de MPB. E por ali ficou. A prova física é seu novo álbum, Brasileiro. Do nome e da capa às músicas, com suas letras que voltam a atenção para o nosso Brasil e arranjos que gritam Caetano, Gal, Bethânia e Chico Buarque, Brasileiro parece ser uma marca para um artista em constante ebulição. A diferença, agora, é que muito provavelmente não teremos mais um Silva mergulhado nos sintetizadores da era Claridão, já que o nome da primeira faixa indica que “Nada será mais como era antes”. Se isso é algo bom ou ruim, só o tempo dirá. Por enquanto, dá para aproveitar a beleza sem medidas de músicas como “Prova dos nove”, “Milhões de vozes” (esta em parceria com Arnaldo Antunes na composição) e “Guerra de amor”. O misto do Silva de Vista pro mar com o de Brasileiro surge no principal single do disco, “A cor é rosa”. Há, ainda, surpresas instrumentais com “Sapucaia” e “Palmeira”.

» “A cor é rosa

“Bloom”, por Troye Sivan

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Assim como qualquer artista pop talentoso, Troye Sivan libertou-se das amarras do álbum de estreia. E como todos questionam o artista que faz sucesso logo no primeiro trabalho se este vai manter o sucesso com o segundo disco, esperava-se muito daquele que, muito novo, alçou patamares grandes em um mercado musical competitivo com Blue Neighbourhood, em 2015. A resposta veio em um álbum pop curto, de pouco mais de meia hora, mas que encara com perfeição a máxima de que menos é mais. Conciso, direto, irretocável. Bloom é uma libertação não apenas pessoal e íntima de Sivan, buscando letras autobiográficas que permeiam sua sexualidade e como ela afeta os arredores de sua vivência, mas seu crescimento como artista, seja seu lado cantor, seja seu lado compositor. O disco é um misto de dedicações, seja ao amor, seja ao sexo, seja ao desapego, seja à tristeza. Aliado a produtores tão talentosos quanto ele, como Ariel Rechtshaid (que produziu para HAIM, Kylie Minogue, Brandon Flowers e Adele), Troye Sivan entrega um segundo trabalho honesto, assumindo o pop como vestimenta perfeita para aquilo que ele deseja falar.

» “My my my!

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Filmes, Listas

Os melhores filmes de 2017

É hora de dizer mais uma vez: ano novo, lista nova.

Como já é tradição aqui no blog, está na hora de colocar as cartas na mesa e escolher os dez filmes que mais me agradaram ao longo do ano passado. Tentei prezar diversos gêneros e, consequentemente, várias temáticas. No final da lista você encontrará um filme bônus (oficialmente ele ainda não estreou no Brasil).

Listas de anos anteriores: 2016, 2015, 2014

10º

Mulher-maravilha (Wonder woman)

2017, dirigido por: Patty Jenkins

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Pôster: B O N D, 2017

Um dos filmes mais elogiados de 2017, Mulher-maravilha soube escapar muito bem do estigma de ser “apenas mais um filme de super-herói”. Patty Jenkins e sua direção com um olhar cuidadoso para a imagem de representatividade da mulher dentro do universo proposto pela personagem da DC Comics fez do filme não apenas um manifesto, mas uma peça de entretenimento puro e muito válida, mostrando ao público todo um universo e construção de personagem que não perde para nenhum outro filme baseado em histórias em quadrinhos. A cereja do bolo, é claro, é a atuação plena de Gal Gadot.

Star Wars: os últimos jedi (Star Wars: the last jedi)

2017, dirigido por: Rian Johnson

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Pôster: LA, 2017

Esqueça a zona de conforto de J. J. Abrams e seu Episódio VII. Não que este seja ruim, mas Rian Johnson definitivamente deixou sua marca na saga Star Wars. Ousado, diferente e, ao mesmo tempo, resgatando os tão bem-vindos alívios cômicos da trilogia clássica, Os últimos jedi não apenas estabelece de vez a nova geração de Star Wars para as novas gerações dentro do público, como também deixa seu legado para o cânone criado por George Lucas. Não dê atenção para pessoas babacas e seus abaixo-assinados irrelevantes, The last jedi é filmaço de primeira categoria e diversão garantida.

Leia a resenha do filme aqui.

Corra! (Get out!)

2017, dirigido por: Jordan Peele

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Pôster: LA, 2017

Não espere que você saiba o que está acontecendo dentro desse filme. Corra! é imprevisível do início ao fim. E o roteiro vai jogar com você o tempo todo, subvertendo inclusive suas próprias obviedades. É um suspense? Sim. É um terror? Sim. É comédia? Doentia, mas sim. Para conferir Get out!, é bom estar com o estômago em dia, pois a atualidade dele vai dar uns belos socos no seu.

Leia a resenha do filme aqui.

Animais noturnos (Nocturnal animals)

2016, dirigido por: Tom Ford

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Pôster: B O N D, 2016

Animais noturnos não possui uma história complexa, muito menos efeitos especiais mirabolantes. Seu foco são seus personagens e como esses lidam com seus próprios sentimentos. A história dentro da história só complementa a força gerada por ressentimentos, ódio e, claro, vingança. Espere por composições de imagens estéticas e atuações primorosas de Amy Adams e Jake Gyllenhaal.

Leia a resenha do filme aqui.

Ao cair da noite (It comes at night)

2017, dirigido por: Trey Edward Shults

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Pôster: InSync Plus, 2017

Dentro de uma onda de filmes de terror cada vez mais autorais e que fogem do estereótipo de que terror equivale a um filme ruim, com personagens rasos e histórias mais finas ainda, Ao cair da noite não é um exemplo que irá deixar você satisfeito. Em nenhum momento ele entrega o que o público quer ou precisa ver. Seu suspense é baseado justamente naquilo que tememos por não sermos capazes de vê-lo. Angustiantes, claustrofóbico e visceral.

Dunkirk (Dunkirk)

2017, dirigido por: Christopher Nolan

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Pôster: WORKS ADV, 2017

Para quem estava acostumado com um Christopher Nolan entregando filmes do Batman com roteiros complexos e desenvolvimento profundo de personagens, ou mesmo filmes com conceitos complexos como A origem (Inception, 2010), Dunkirk pode parecer um longa incompleto, sem nexo. Mas não se engane: o protagonista aqui é a própria guerra enfrentada pelos personagens. Dunkirk é cinema puro: no som e na imagem. O ideal é assisti-lo com uma tela e sistema de sons à altura, para que a experiência seja completa e você se sinta, mesmo que por menos de duas horas, dentro de uma guerra. Terrível.

Leia a resenha do filme aqui.

O filme da minha vida

2017, dirigido por: Selton Mello

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Pôster: Vitrine Filmes, 2017

Está na hora de você parar com essa bobagem de que filme nacional é uma porcaria. Claro que muitos filmes produzidos no nosso país nem merecem ser chamados de “filmes”, tamanha acefalia nos vários exemplos que vemos por aí. O filme da minha vida, porém, vem para tirar de vez essa impressão e, consequentemente, injustiça que praticamos contra o cinema pensado e produzido aqui. Seguindo a imensa qualidade de seu longa anterior, O palhaço (2011), o ator Selton Mello dirige aqui um regionalismo com maestria e serenidade. Destaque para a belíssima fotografia que evoca, em seu tom sépia, uma nostalgia doce, mas, ao mesmo tempo, dolorosa.

A chegada (Arrival)

2016, dirigido por: Denis Villeneuve

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Pôster: Empire Design, 2016

Aparentemente o canadense Denis Villeneuve não consegue fazer um filme ruim. Aqui, o diretor nos apresenta o que poderia ser mais um filme de invasão alienígena, não fosse pelo fato de A chegada não colocar a invasão em si em primeiro lugar; o foco, aqui, é a linguagem: como vamos nos comunicar com esses seres? E como é a linguagem deles? Todos os segredos e enigmas do filme giram em torno da linguagem. Obra-prima, incluindo sua trilha-sonora arrepiante.

Leia a resenha do filme aqui.

It: a coisa (It)

2017, dirigido por: Andy Muschietti

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Pôster: cold open, 2017

A produção de It remonta ao início da década. Mudança de diretores, roteiristas e por aí vai. O que parecia impossível acontecer devido às circunstâncias foi, talvez, a principal supresa positiva dentro do cinema blockbuster de 2017. Baseado em uma das consideradas obras-primas de Stephen King, It: a coisa é uma homenagem não apenas aos grandes monstros e fantasmas das histórias de terror, mas à infância em si. Equilibrando muito bem as doses de sustos e horror com os risos (voluntários ou não), It com toda a certeza foi a melhor opção de entretenimento no ano que passou. Finalmente valeu a pena esperar anos e anos por um filme sair do papel. Estamos ansiosos desde já para o próximo capítulo da história, previsto para 2019.

Leia a resenha do filme aqui.

E aqui há a resenha para o livro de Stephen King.

Moonlight: sob a luz do luar (Moonlight)

2016, dirigido por: Barry Jenkins

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Pôster: InSync Plus, 2016

Poético como versos doces ou música inspirada, arrebatador como um soco no rosto. Moonlight não apenas mereceu seu Oscar de Melhor Filme em 2017, era uma obrigação premiá-lo por sua coragem, sua narrativa fílmica exemplar e sua temática mais do que necessária. A discussão aqui não é apenas em relação aos LGBTs, mas também em relação aos negros e como eles – ainda, infelizmente – estão relegados às margens de nossa sociedade. Não espere por finais felizes.

Cena pós-créditos

Me chame pelo seu nome (Call me by your name)

2017, dirigido por: Luca Guadagnino

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Pôster: Sony Pictures Classics, 2017

Sensação do final do ano, Me chame pelo seu nome está arrebatando críticos por todos os festivais em que passa. Queridinho das premiações agora no começo de 2018, o longa realmente não decepciona, seja por seu retrato fidedigno de um verão europeu rodeado por estudiosos, piscinas, praias e pêssegos saboreados de diversas formas, seja pela atuação monstra de Timothée Chalamet ao lado de Armie Hammer. Destaque também para as composições originais de Sufjan Stevens que permeiam o filme e ditam ainda mais o clima de primeiro-amor.

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Filmes, Listas

Os melhores filmes de 2016

É hora de dizer: ano novo, lista nova.

Mas nesse ano resolvi mudar um pouco. Minha lista de melhores de 2016 tem 10 filmes, e eles estão dispostos em um ranking pessoal (e coloquei-os nas seguintes posições por diversos motivos, temática, execução, direção, roteiro, fotografia…). Nem todos os filmes listados aqui estrearam propriamente no Brasil ano passado, é bom enfatizar.

Se você está precisando de indicações de filmes para assistir, aqui vão dez dos que mais me agradaram no ano passado.

10º

Ex Machina: instinto artificial

dirigido por: Alex Garland

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Pôster: BLT Communications, LLC, 2015

Rogue One: uma história Star Wars

dirigido por: Gareth Edwards

» resenha

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Pôster: LA, 2016

Café Society

dirigido por: Woody Allen

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O Regresso

dirigido por: Alejandro González Iñárritu

» resenha

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Os Oito Odiados

dirigido por: Quentin Tarantino

» resenha

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Pôster: BLT Communications, LLC, 2015

Julieta

dirigido por: Pedro Almodóvar

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Pôster: Barfutura, 2016

A Bruxa

dirigido por: Robert Eggers

» resenha

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Pôster: Gravillis Inc., 2016

O Menino e o Mundo

dirigido por: Alê Abreu

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Spotlight: segredos revelados

dirigido por: Tom McCarthy

» resenha

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Pôster: BLT Communications, LLC, 2015

Aquarius

dirigido por: Kleber Mendonça Filho

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Listas, Música

Os melhores discos de 2016

Passei muito tempo transitando entre a música pop e a independente. Já ouvi muita farofa de FM e muita banda desconhecida. Esse ano resolvi ampliar um pouco mais meu espectro musical, ainda que mantendo um pé no pop e, claro, no indie também. Passei pelo hip-hop e pelo eletrônico. Pela MPB através de releituras e um bom e velho synth-pop brasileiro pra botar muito gringo aí de queixo caído. Sem mais, vamos aos melhores álbuns desse ano?

Ah, a lista não está em ordem de pior para melhor, ou gênero, ou preferência musical. Resolvi colocá-la em ordem alfabética para que não houvesse nenhum problema em relação a esses detalhes. 🙂

“Freetown Sound”, por Blood Orange

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Conheci o projeto musical de Dev Hynes numa recomendação esperta do Apple Music. Como já disse, esse ano resolvi ampliar um pouco meu ouvido para outros gêneros, e o Blood Orange me pegou mais rápido do que eu poderia imaginar. Intimista, muitas vezes etéreo, o som de Hynes te leva para uma dimensão particular, repleto de depoimentos que se mesclam entre uma faixa e outra, acompanhando o ritmo dançante e, muitas vezes, reflexivo. Um dado curioso: Dev Hynes já compôs músicas para Sky Ferreira, FKA twigs, Florence + the Machine, Carly Rae Jepsen, The Chemical Brothers e Kylie Minogue. O rapaz não é fraco, não.

» Ouça / veja “Augustine” no YouTube.

» Ouça Freetown Sound no Apple Music.

» Ouça Freetown Sound no Spotify.

“Glory”, por Britney Spears

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A princesa do pop já conheceu o top da Billboard e o porão do fundo do poço nas clínicas de reabilitação. Foi tida como promissora, problemática, magra demais, gorda demais (you wanna a piece of me?). Enfim, uma autêntica artista pop, jogada na cova dos leões para que os tabloides a comessem viva quando bem quisessem. Bem, de uns tempos para cá, Britney Spears voltou, musicalmente falando, com tudo em Blackout, talvez seu melhor álbum; caprichou na produção sonora e visual em Femme Fatale, concorrendo, à época, com grandes destaques chamados Kesha e Lady Gaga; mas agora, em pleno 2016, ela parece estar aproveitando mais o fato de que enfim pode lançar um bom disco, promovê-lo de maneira autêntica e, principalmente, divertir-se com tudo isso. Talvez esse tempero seja o ingrediente necessário para Glory, um fôlego necessário para a carreira da cantora e, por quê não?, para nós também. Vida longa à princesa do pop.

» Ouça / veja “Slumber Party” no YouTube.

» Ouça Glory no Apple Music.

» Ouça Glory no Spotify.

“Fitz and The Tantrums”, por Fitz and The Tantrums

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Primeira vez que vi Fitz and The Tantrums foi no Lollapalooza de 2014 do Brasil (vi pela TV, pois não estava lá, infelizmente). Aparentemente mais uma banda desconhecida, os caras tomaram uma proporção grande da minha atenção nos dias seguintes enquanto eu dissecava o álbum deles da época, More Than Just a Dream. Um indie pop muito, mas muito chiclete, com direito a muitas músicas fofinhas, mas com letras ultra-depressivas. Isso melhora? Talvez. Apesar de ser um disco irregular, em minha humilde opinião de leigo musical, o novo álbum pode se tornar, ainda, mais próximo do que More Than Just a Dream sempre será. Aqui também temos músicas chiclete, mas Fitz and The Tantrums se afasta mais do som independente e mergulha num pop mais palpável para os famigerados hits de rádio e listas das mais tocadas. É um álbum divertido, no final das contas, dá pra dar uma boa atenção para ele.

» Ouça / veja “HandClap” no YouTube.

» Ouça Fitz and The Tantrums no Apple Music.

» Ouça Fitz and The Tantrums no Spotify.

“Skin”, por Flume

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Assim como Blood Orange, também descobri o Flume pelo Apple Music, em uma playlist sugerida em um dia qualquer. Se você anda procurando um som mais de boas, algo que se aproxime do chill out, mas também está com um pé no hip-hop e nas produções eletrônicas mais atuais (ou seja, que beba da mesma fonte dos caras do Major Lazer, por exemplo). Flume, na verdade, é o nome de palco de Harley Edward Streten, músico, produtor e DJ australiano. Seu som é limpo, cheio de batidas etéreas, algumas como que saindo de um sonho distante ou de uma trilha sonora de ficção científica. Dá pra dançar com Flume? Olha, acho que sim. Dá pra brisar bonito, isso sim. E já vale a pena.

» Ouça / veja “Never Be Like You (featuring Kai)” no YouTube.

» Ouça Skin no Apple Music.

» Ouça Skin no Spotify.

“Blonde”, por Frank Ocean

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Foi minha primeira experiência com Frank Ocean, e muito bem-vinda. Um R&B bem good vibes, às vezes misturado a um pop psicodélico, às vezes um som minimalista, tudo o que o seu ouvido pode pedir para um dia cheio de problemas e estresses. A voz de Ocean é macia, em alguns momentos coberta por camadas de efeitos eletrônicos, em outros totalmente límpida. O álbum ainda conta com participações de Beyoncé, Kendrick Lamar, Andre 3000, e teve produção, além do próprio vocalista, de Pharrell Williams e Jamie xx. Talvez seja um disco muito discutido ao longo dos próximos anos. Enquanto isso não acontece, o que nos resta é saboreá-lo.

» Ouça Blonde no Apple Music.

» Ouça Blonde no Spotify.

“Joanne”, por Lady Gaga

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Esse momento era inevitável. Para a maioria dos artistas pop que iniciam suas carreiras com hits estrondosos e vão alçando uma popularidade single após single, em algum momento tudo isso para e a direção musical dá uma guinada violenta. Agora com Joanne, Lady Gaga realmente deixou seus “Bad Romance” days para trás. Se você, assim como eu, não aguentava mais ouvir a cantora recitando sua fórmula contando com vários Romas e Gagas (abrindo o parêntese aqui para dizer que, sim, eu ouvi muito a música na época e, sim, eu ainda gosto dela, mas… tudo tem um limite, ok?), Joanne veio como um alívio sonoro na carreira da americana. Muita gente já está chiando, obviamente, esperando pelo momento em que Gaga voltará para a velha farofa bafônica para a próxima pista de dança. Creio que é desmerecer demais a sonoridade country / folk / rock do novo disco, um ótimo fôlego para tantos hits pop que a cantora lançou até 2013 (quando, a partir de seu ARTPOP, a guinada musical começou a apontar). Adotar também um visual mais limpo, deixando um pouco de lado suas excentricidades, está fazendo um bem danado para essa nova fase de Gaga. O disco é realmente bom, dê uma chance (ou segunda chance) a ele.

» Ouça / veja “Million Reasons” no YouTube.

» Ouça Joanne no Apple Music.

» Ouça Joanne no Spotify.

“Remonta”, por Liniker e os Caramelows

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Pude ter a honra de ver um show de Liniker e os Caramelows no começo do ano e confesso que foi uma das minhas melhores experiências ao vivo. Performático, feminino e masculino ao mesmo tempo, a imagem híbrida, camaleonesca, com quês de Ney Matogrosso e David Bowie, me deixaram uma boa hora extasiado. Isso sem contar a grande qualidade musical de Liniker, não só pelo seu alcance vocal, mas pelos arranjos caprichados e, principalmente, as letras que rasgam a nossa carne e alma. Como não se identificar com a ferocidade nua e crua de “Zero”, ou com o lirismo, o sonho e a calma de “Sem Nome, Mas Com Endereço”? É música brasileira de máxima qualidade.

» Ouça / veja “Zero” no YouTube.

» Ouça Remonta no Apple Music.

» Ouça Remonta no Spotify.

“Junk”, por M83

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Você não sabe, mas conhece o som do M83. Provavelmente deve ter ouvido essa música aqui, ó. Lembrou? Se você nunca ouviu, agora não vai conseguir parar mais. O projeto musical de Anthony Gonzalez já existe há algum tempo, mas a banda francesa de música eletrônica só estourou mesmo em 2011 com Hurry Up, We’re Dreaming, cujo single principal você já ouviu no link ali em cima. De lá para cá, foram inúmeros convites, como compor a trilha sonora do filme Oblivion e parcerias musicais com muita gente em alta no mundo pop (The Killers, as irmãs HAIM…). A ansiedade foi ao máximo quando eles anunciaram álbum novo, e esse ano nós pudemos conferir as novidades de Junk. E elas são boas. Uma sonoridade totalmente oitentista, com uma porrada de sintetizadores e baterias eletrônicas para qualquer nerd e / ou amante do som dos anos 80 ter orgasmos musicais múltiplos. Tem música em inglês, música em francês, música sem letra e o diabo a quatro. Não vá com muita sede ao pote, porém: se o Hurry Up era uma sinfonia intergalática, uma apoteose eletrônica, Junk não se leva tão a sério assim. Então não o leve também, para você ficar mais leve (péssimo trocadilho).

» Ouça / veja “Do It, Try It” no YouTube.

» Ouça Junk no Apple Music.

» Ouça Remonta no Spotify.

“Mahmundi”, por Mahmundi

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Se você já ouviu La Roux e curtiu o som da moça (e se você nunca a ouviu, já pode abrir mais uma aba aí no navegador e fuçar no YouTube), Mahmundi será uma grata surpresa para os seus ouvidos. Melhor ainda: ela é brasileira. Brasileiríssima, eu diria. Apesar do som completamente de um synth pop descarado (o que não é ruim, claro), Mahmundi traz nas letras uma figuratividade que passa por temas caros a nós e à nossa cultura conhecida mundialmente: o sol, o verão, o calor, aquele amor que veio e nos arrebatou. Sua voz embala e seus arranjos vão te colocar um sorriso nos lábios, provavelmente. Ouça Mahmundi. Pra ontem.

» Ouça / veja “Eterno Verão” no YouTube.

» Ouça Mahmundi no Apple Music.

» Ouça Mahmundi no Spotify.

“ANTI”, por Rihanna

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Não vou me repetir tanto na questão que comentei ali em cima quando falei do JoanneANTI, por sua vez, é, de certa maneira, o Joanne de Rihanna. A barbadiana que começou aos poucos, lá em 2005, com um pop bem sem vergonha (mas grudento e, por que não?, gostoso de ouvir), chega, 11 anos depois, no seu inverso mais dark e sensual. O que é ótimo, pois mostra exatamente essa elasticidade que o mundo exige tanto dos artistas atuais. Se o Loud de 2010, como seu próprio nome diz, gritava um bom e velho popzão para as pistas, ANTI pode até seguir a mesma linha, mas para pistas diferentes – bem diferentes. É refrescante ouvir Rihanna retorcer sua dicção, feito uma magia sonora, para encaixar no ritmo alucinante da já clássica “Work”. E o álbum em si é um som muito bem-vindo para a discografia da cantora. Foi um bom adendo pop para a minha disposição musical desse ano. Não pode deixar passar.

» Ouça / veja “Kiss It Better” no YouTube.

» Ouça ANTI no Apple Music.

» Ouça ANTI no Spotify.

“This Is Acting”, por Sia

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Talvez você não saiba, mas a Sia é uma das compositoras mais disputadas no meio pop. Já escreveu músicas para muitas outras cantoras, e emprestou seu potente vocal para muito DJ e produtor aí (cof, cof, David Guetta, cof, cof, Titanium). Mesmo que seu apogeu tenha sido, obviamente, a nova-clássica “Chandelier”, o novo álbum da cantora não deixa nem um pouco a desejar. Ela consegue dividir, no mesmo espaço, composições dolorosas e hits pop genuínos, prontinhos para uma pista de dança. A combinação das batidas e os arranjos eletrônicos e sua voz rasgada, muitas vezes sofrida, é o toque agridoce que This Is Acting entrega da maneira mais agradável possível. Para completar, a cantora sabe como divulgar seu trabalho da forma mais imagética possível. Do you love cheap thrills?

» Ouça / veja “Cheap Thrills” no YouTube.

» Ouça This Is Acting no Apple Music.

» Ouça This Is Acting no Spotify.

“Silva Canta Marisa”, por Silva

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Bem, sou suspeito para falar, pois acompanho a carreira do Silva desde 2013. Na época, ele já havia lançado um EP e o primeiro álbum, Claridão. Não demorou muito e veio o segundo disco, Vista Pro Mar, seguido do mais recente, Júpiter. A discografia do capixaba é assunto para um post único, na verdade, então vamos falar mesmo é do seu último projeto, essa coisa fofa chamada Silva Canta Marisa. O cantor foi dando pistas ao longo do ano, postando uma fotenha aqui com Marisa Monte, gravando especial para a TV a cabo com músicas dela lá… até que – , eis álbum novo, só com covers de Marisa Monte. E mais uma música inédita, composta em parceira com ela mesma e com sua participação na faixa. Apesar da releitura de Silva ter alterado de maneira significativa alguns clássicos da Marisa Monte, vale uma conferida justamente para abrir os ouvidos a uma interpretação nova. E o Silva estava inspirado. Não termine o ano sem ouvir.

» Ouça / veja “Noturna (Nada de Novo na Noite) [part. Marisa Monte]” no YouTube.

» Ouça Silva Canta Marisa no Apple Music.

» Ouça Silva canta Marisa no Spotify.

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Filmes, Listas

Os 12 Melhores de 2015

Ano novo, lista nova.

Seguindo a tradição, eis aqui mais uma lista, agora dos melhores filmes que vi em 2015. Lembrando que esta lista não é um ranking (os filmes estão em ordem alfabética), mas uma compilação simples dos que considero os melhores do ano passado – sejam eles melhores por sua direção, roteiro, elenco, fotografia ou até mesmo pelo entretenimento propriamente dito.

Excetuando Boa noite, mamãe (Ich seh, ich seh, 2014), que ainda vai estrear oficialmente aqui no Brasil, e Relatos selvagens (Relatos salvajes, 2014), todos os demais filmes estrearam em 2015 nos cinemas brasileiros.

Se você quer dar uma olhada na lista dos melhores de 2014, é só clicar aqui.

1_Birdman

Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância), 2014; dir: Alejandro González Iñárritu

Lembro que houve muita discussão na internet, há um ano, quando Birdman ganhou o Oscar de Melhor Filme. O favorito, claro, era Boyhood. Arrisco dizer que gostei um tanto mais de Birdman do que da saga de 12 anos do Linklater; obviamente não desmereço esta obra, principalmente por sua experiência cinematográfica única… mas Birdman tem um quê especial para cair nas graças das premiações. É um ótimo filme, com seu texto ácido, suas atuações explosivas e um plano-sequência (forjado, vamos ser honestos) atordoador. Michael Keaton no papel principal vai fazer você ter diversas reações e julgamentos ao que é verdade e mentira nesse longa cômico, dramático, aventuresco e, acima de tudo, cinematográfico.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

2_Boa noite, mamãe

Boa noite, mamãe, 2014; dir: Veronika Franz e Severin Fiala

Se você pretende ver um filme de terror repleto de cenas com sangue jorrando, trilha sonora aumentando o volume repentinamente para pular na poltrona e assassino sendo descoberto no final, Boa noite, mamãe não é a escolha correta. O filme preza por algo que está cada vez mais raro no cinema atual: o velho filme de terror que assusta sem ser gratuito, aquele que brinca com nossos medos psicológicos, com os receios mais primitivos. A premissa da história pode até ser batida e a maioria das pessoas corre o risco de sacar a reviravolta do roteiro antes do momento certo, mas ainda assim vale a pena conferir esse filme estranho – porém competente no que promete cumprir.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

3_Corrente do mal

Corrente do mal, 2014; dir: David Robert Mitchell

Com trilha sonora independente e eletrônica, ambientando o filme como se fosse uma peça rara dos anos 80, Corrente do mal tem todo o estilo cru de um John Carpenter. O vilão do filme, no entanto, é invisível, um serial killer transmitido através de um ato primordial para qualquer ser humano e que começa a se manifestar em uma das épocas mais conturbadas: a adolescência. Junte aí a fotografia inteligente e cortes seguidos por cenas perturbadoras. Se você esperar por um final redondinho, então é melhor parar por aí. It follows não se importa em entregar uma trama com começo, meio e fim, e isso já é muito relevante quando se trata de um terror americano.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

4_Divertida mente

Divertida mente, 2015; dir: Pete Docter e Ronniel Del Carmen

Uma das inspirações para os filmes da Pixar sempre foi Hayao Miyazaki e isso sempre ficou claro, tanto para o espectador quanto para os próprios realizadores. Em Divertida mente, porém, a Pixar parece abraçar de vez as melhores influências que o mestre japonês da animação poderia passar e entrega um filme completamente adulto (mas, ainda assim, perfeitamente direcionado para as crianças). Acompanhar a pequena protagonista através de seus sentimentos não é apenas uma sacada que movimenta o filme do começo ao fim, mas sim tentar não se emocionar com diversos diálogos e, o principal, aprender que sem a tristeza, não seríamos felizes. Complexo demais? De forma alguma. Inside out traduz o que há de mais complicado em nossos cérebros da maneira mais lúdica e bonita possível. Filmão.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

5_O homem irracional

O homem irracional, 2015; dir: Woody Allen

Assistir a um filme de Woody Allen no cinema é sentir-se em casa. Sabemos como ele começa, com seus créditos em ordem alfabética e uma música aconchegante tocando de fundo (um jazz sedutor), acompanhamos logo depois o personagem principal se apresentando através de uma narração off e, a partir daí, Allen pode nos surpreender. Me parece que o momento de inspiração voltou para o cineasta nesse O homem irracional, com uma atuação interessante de Joaquin Phoenix dentro de uma comédia repleta de ironias e diálogos filosóficos. A ironia principal fica para o final do filme. E vale a sessão.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

6_Jurassic world

Jurassic World: o mundo dos dinossauros, 2015; dir: Colin Trevorrow

A volta de uma das franquias mais famosas do cinema é sempre um terreno perigoso: para os fãs, que esperam sempre uma continuação melhor que a anterior; e para o estúdio, na expectativa de fazer milhões ou até bilhões na arrecadação. No caso de Jurassic world, tudo bem para todos. O filme trouxe o divertimento que faltava a Jurassic park III e o clima de aventura que Spielberg prezou no original. É claro que o filme cai sobre os ombros de Bryce Dallas Howard e Chris Pratt, mas ambos dão conta do recado – ou fugir de um tiranossauro rex usando saltos é pouco para você? Obrigatório para os fãs dos dinos.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

7_Mad Max

Mad Max: estrada da fúria, 2015; dir: George Miller

Vamos chover no molhado e elogiar Charlize Theron e sua Imperatriz Furiosa? Falar bem da (proposital) fotografia acelerada? Da loucura que é acompanhar as perseguições e sequências de ação desse filme? Não importa se você não acompanhou os capítulos anteriores da obra de Miller, Mad Max: estrada da fúria é um filmaço. Não perca a oportunidade de ver um guitarrista fazendo solos enquanto é içado de um carro e a trilha sonora industrial de Junkie XL (o DJ responsável pelo remix de “A little less conversation”, de Elvis Presley).

Clique aqui para ver o trailer do filme.

8_Missão impossível

Missão Impossível: nação secreta, 2015; dir: Christopher McQuarrie

Quem diria que em 2015 ainda veríamos Tom Cruise como o agente secreto Ethan? E o fôlego é grande, para o ator e para o público também. O filme é divertido o bastante e traz Cruise correndo (de verdade) como se não houvesse amanhã e presente (de verdade, sem dublês) em cenas de ação, digamos, um pouco perigosas – como se segurar à porta de um avião enquanto ele decola, por exemplo. E se você acha que a divulgação em massa dessa cena (em trailer e pôsteres) estraga o filme, está enganado: Nação fantasma ainda guarda muitas surpresas e sequências de ação de tirar o chapéu. Pegue a pipoca e prepare-se para ouvir mais uma vez o tema de Missão impossível tocando na tela.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

9_Que horas ela volta

Que horas ela volta?, 2015; dir: Anna Muylaert

O cinema nacional prova, a cada ano, a sua importância e qualidade com filmes como Que horas ela volta?. Enquanto a maioria das salas de cinema do país passam enlatados como Até que a sorte nos separe e afins, o novo filme da diretora Anna Muylaert surpreendeu não apenas pela sua abrangência, mas principalmente por sua repercussão. Repleto de diálogos cortantes e situações constrangedoras para as camadas sociais mais abastadas – ou não, gente rica sempre acha que está certa -, a obra é Regina Casé e vice-versa. Mas também é a jovem atriz Camila Márdila, roubando todas as cenas em que está presente. Se ver os filmes de Leandro Hassum é uma opção, Que horas ela volta? é uma obrigação cultural (num bom sentido, é claro).

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

10_Relatos selvagens

Relatos selvagens, 2014; dir: Damián Szifrón

A linha tênue entre o racional e o selvagem. Quantas vezes pensamos em perder o controle nas mais diversas situações? Bem, o diretor Damián Szifrón faz questão de reunir diversos contos nesse longa surpreendente por sua qualidade técnica e humor negro. Prepare-se para presenciar uma das cenas mais inacreditáveis do cinema, se identificar com a vingança de uma noiva em sua própria festa de casamento e rir da desgraça alheia sem um pingo de culpa. A crítica social está injetada em todos os segmentos, então não pense que não há peso no roteiro de Relatos selvagens. Surpreenda-se com o cinema argentino.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

11_Vício inerente

Vício inerente, 2014; dir: Paul Thomas Anderson

Joaquin Phoenix na pele de um detetive que vive mais chapado com maconha do que na realidade em si. Precisa de mais motivos para assistir a Vício inerente? Claro: a direção sempre maestral de PTA, com sua linguagem cinematográfica através da fotografia noir que registra uma Los Angeles dos anos 70. Isso sem contar a trilha sonora e a presença de cena mais do que bem-vinda da jovem Katherine Waterston. E o roteiro é baseado na obra homônima de Thomas Pynchon – anote esse nome para sua próxima leitura.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

12_Whiplash

Whiplash: em busca da perfeição, 2014; dir: Damien Chazelle

Teste fatal para qualquer cardíaco, o filme que rendeu um Oscar para a embasbacante atuação de J. K. Simmons constrói sua tensão aos poucos, mas ela é inevitável da metade para o fim da projeção. Sinta-se na pele de um aprendiz que deseja ultrapassar a perfeição através do comando de um dos professores mais odiosos que o cinema já teve o desprazer de criar. O mais incrível? O diretor de Whiplash foi um dos roteiristas de O último exorcismo – Parte 2.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

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Filmes, Listas

Os 15 Melhores de 2014

Confesso que assisti muitos filmes bons em 2014. Prolongar muito a lista de melhores perderia o efeito, bem, de ser uma lista de fim de ano. Assim como no ano passado, não quero transformar minha lista em um ranking, sugerindo que filme x seja melhor que o filme y; por isso os filmes seguirão ordem alfabética para que você se sinta à vontade e escolha aquele que desejar para sua próxima sessão.

(Coloquei e tirei e coloquei novamente diversos filmes na lista. Mas o corte final é o que se segue)

Pôster: Ignition Print, 2013

12 Anos de Escravidão, 2013; dir: Steve McQueen

Sempre fico com o pé atrás com filmes demasiadamente comentados – ainda mais se for um indicado máximo ao Oscar e a todas aquelas premiações de começo de ano. Admito que não tinha muita curiosidade por 12 Anos de Escravidão, por isso assisti o filme sem expectativas. Mas não tem como: Steve McQueen não se acovarda diante da plateia e não toma atalhos para mostrar a realidade crua e aterradora da escravidão. Não apenas pela história, a obra também vale por seus detalhes técnicos e estéticos, dignos de uma boa discussão cinéfila.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Art Machine & Animal Logic, 2014

Uma Aventura LEGO, 2014; dir: Phil Lord, Christopher Miller

Se com a Pixar – e agora com o Disney Animation Studios – nós nos acostumamos a ver animações que pareciam cada vez mais voltadas para o público adulto, deixando para as crianças as piadas de humor físico e afins, foi uma surpresa boa e divertida assistir Uma Aventura LEGO logo no começo do ano. Repleto de referências à cultura pop e nerd, a animação não se prende a nenhum tipo de seriedade e – melhor – assume as características do universo Lego em todos os aspectos. Frenético, colorido e com piadas na medida certa, o filme veio para competir com as outras animações deste ano.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Os Boxtrolls, 2014; dir: Graham Annable, Anthony Stacchi

O estúdio Laika, após ficar mundialmente conhecido por Coraline, voltou aos cinemas, este ano, com um filme que provavelmente irá agradar mais as crianças quando elas estiverem crescidas. Isso porque Os Boxtrolls, apesar de seu carisma em stopmotion e seus monstrengos simpáticos, possui temas incrivelmente sérios, críticos e que desferem tapas de luva de pelica a todo momento em sua plateia. Desde o 3D de imersão até a sua estética que causa estranheza, o filme merece ser não apenas assistido, mas apreciado – na infância e em outros momentos da vida.

Confira a resenha do filme aqui.

Boyhood (Pôster)

Boyhood: da infância à juventude, 2014; dir: Richard Linklater

A premissa de Boyhood é comum: acompanhar a vida de um garoto até a sua adolescência. O diretor Richard Linklater, no entanto, decidiu usar os mesmos atores e filmá-los ano a ano, conferindo uma experiência cinematográfica interessante e que com certeza levará muitas pessoas a se identificarem com as situações vividas pelo protagonista. Não vá com muitas expectativas, porém: o filme é bom e possui um elenco afinadíssimo, mas vale mais pela experiência do que por seu enredo.

Pôster:  InSync + BemisBalkind, 2014

Chef, 2014; dir: Jon Favreau

Não se entregando à tentação de se passar apenas por um food porn simplista, Chef faz questão de encucar em seu espectador diversas reflexões sobre a vida, principalmente sobre nossas escolhas profissionais e de que forma elas nos influenciam. Favreau conduz o filme de forma leve, além de estar cercado de atores que o deixam à vontade para se transformar em um chef que, aos poucos, aprende o valor da paternidade e de sua profissão.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: aSquared Design Group, 2013

Ela, 2013; dir: Spike Jonze

Spike Jonze conseguiu, de forma bela e onírica, criar uma história de amor entre um homem e uma máquina. Talvez o detalhe mais singelo de Ela não seja a voz melódica de Scarlett Johansson, mas a forma como Jonze conduz sua câmera, registrando uma paleta de cores quentes e um sorriso melancólico na magnífica interpretação de Joaquim Phoenix. Mas o filme não estanca as possibilidades em seu lado bonito; o agridoce de Ela também está nas consequências de um amor que une um ser humano e um sistema operacional que não possui vida real – apenas na cabeça do protagonista.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Kellerhouse Inc, 2014

Garota Exemplar, 2014; dir: David Fincher

David Fincher discutiu mais uma vez com chefões de estúdio, mas seu esforço valeu cada segundo: Garota Exemplar não é só uma das melhores surpresas do ano (realmente esperava mais do filme como obra por causa de Fincher, e menos como história por causa de uma autora que não conhecia), como entrega uma das cenas mais chocantes e impactantes do cinema. É de sair da sessão abestalhado, inconformado e desnorteado com tudo o que se viu na tela da sala escura.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Godzilla, 2014; dir: Gareth Edwards

Muita gente chiou com a nova versão de Godzilla. As reclamações foram vastas: o monstrengo demora para aparecer, muito falatório e pouca ação, filme muito escuro. Mas acredito que os fãs de longa data de Gojira mereciam um filme à altura da fama do monstro japonês, e o filme dirigido por Gareth Edwards cumpre, minimamente, com essa missão.

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The Grand Budapest Hotel (Pôster)

O Grande Hotel Budapeste, 2014; dir: Wes Anderson

A estética de Wes Anderson é para poucos. Muitas pessoas se incomodam com os enquadramentos metódicos do diretor e as disposições milimetricamente pensadas em cada frame de seus filmes. Mas O Grande Hotel Budapeste traz, além dos maneirismos já mais do que conhecidos de Anderson, uma história divertida, com personagens carismáticos e uma interessante homenagem metalinguística. O diretor, dessa vez, até ousa com cenas gráficas – e acredite, elas são para gerar humor.

Pôster: BLT Communications

Guardiões da Galáxia, 2014; dir: James Gunn

Não consigo me divertir com os filmes dedicados aos heróis da Marvel. Neste ano, porém, deixei meus princípios pessoais de lado e resolvi dar uma chance para Guardiões da Galáxia. E parece que escolhi bem minha estreia no universo Marvel. Carregado de referências aos anos 80, personagens carismáticos e totalmente desprendidos com qualquer tipo de seriedade, o filme ainda faz questão de ser conduzido por uma trilha sonora retrô, pop e dançante. Meio difícil não se deixar levar pelo grupo de heróis mais desajustado já visto no cinema.

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Pôster: Lacuna Filmes, 2014

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, 2014; dir: Daniel Ribeiro

Esperado desde o lançamento do curta que lhe deu origem, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho encanta não só pela direção segura e pelo roteiro que não se rende a estereótipos baratos: o maior diferencial da obra é apresentar uma história de amor adolescente não defendendo a causa gay, mas usando-a como metáfora para passar a mensagem de que amar não enxerga cor, religião, sexo e etc. O protagonista ser cego só reforça essa mensagem mais do que bem vinda para todas as próximas gerações.

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Pôster: Mecanismo Films, 2013

O Homem Duplicado, 2014; dir: Dennis Villeneuve

Baseado no livro de José Saramago, o longa do diretor canadense não deixa nada mastigado para o espectador. Assistir O Homem Duplicado é tentar encontrar sentido em um emaranhado de sequências e metáforas construídas de forma magistral. A atuação precisa e surpreendente de Jake Gyllenhaal só adiciona mais camadas ao desafio.

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Pôster: Concept Arts 2014.

Interestelar, 2014; dir: Christopher Nolan

Interestelar já pode ser considerado o filme em que Christopher Nolan deixa de lado suas preferências cerebrais e engatinha em temas mais emocionais, refletindo, inclusive, sobre o maior deles: o amor. Ligado a isso, o diretor traz uma história que trata sobre o tempo. Em uma projeção que ainda conta com grandes atuações (olá, Matthew McConaughey), efeitos visuais e sonoros que deixam qualquer um vidrado em suas cenas, ainda há tempo para discutir teorias físicas modernas.

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Jeune et Jolie (Pôster)

Jovem e Bela, 2013; dir: François Ozon

O mérito do francês Jovem e Bela estar aqui é pelo diretor François Ozon não tratar a protagonista como vítima, mas sim como alguém que assume a prostituição como mera opção de trabalho. Seria curiosidade? Seria prazer? O fato de ser uma adolescente só adiciona mais tempero ao filme belamente fotografado. Leves comparações à Belle de jour são bem aceitas.

Pôster: BLT Communications

O Lobo de Wall Street, 2013; dir: Martin Scorsese

A ideia de assistir Leonardo DiCaprio interpretando um homem inescrupuloso que encontra um meio de ganhar milhões de dólares da maneira mais rápida e ilegal possível, gastando toda a grana com mulheres, sexo, drogas e coisas inimagináveis ao longo de um filme de três horas parece cansativo? Seria, talvez, se O Lobo de Wall Street não tivesse sido dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese. E o ritmo é acelerado além da conta: ao terminar o filme, a impressão é que nós, o público, participamos também de todas as loucuras do protagonista.

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