Filmes, Listas

Os 12 Melhores de 2015

Ano novo, lista nova.

Seguindo a tradição, eis aqui mais uma lista, agora dos melhores filmes que vi em 2015. Lembrando que esta lista não é um ranking (os filmes estão em ordem alfabética), mas uma compilação simples dos que considero os melhores do ano passado – sejam eles melhores por sua direção, roteiro, elenco, fotografia ou até mesmo pelo entretenimento propriamente dito.

Excetuando Boa noite, mamãe (Ich seh, ich seh, 2014), que ainda vai estrear oficialmente aqui no Brasil, e Relatos selvagens (Relatos salvajes, 2014), todos os demais filmes estrearam em 2015 nos cinemas brasileiros.

Se você quer dar uma olhada na lista dos melhores de 2014, é só clicar aqui.

1_Birdman

Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância), 2014; dir: Alejandro González Iñárritu

Lembro que houve muita discussão na internet, há um ano, quando Birdman ganhou o Oscar de Melhor Filme. O favorito, claro, era Boyhood. Arrisco dizer que gostei um tanto mais de Birdman do que da saga de 12 anos do Linklater; obviamente não desmereço esta obra, principalmente por sua experiência cinematográfica única… mas Birdman tem um quê especial para cair nas graças das premiações. É um ótimo filme, com seu texto ácido, suas atuações explosivas e um plano-sequência (forjado, vamos ser honestos) atordoador. Michael Keaton no papel principal vai fazer você ter diversas reações e julgamentos ao que é verdade e mentira nesse longa cômico, dramático, aventuresco e, acima de tudo, cinematográfico.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

2_Boa noite, mamãe

Boa noite, mamãe, 2014; dir: Veronika Franz e Severin Fiala

Se você pretende ver um filme de terror repleto de cenas com sangue jorrando, trilha sonora aumentando o volume repentinamente para pular na poltrona e assassino sendo descoberto no final, Boa noite, mamãe não é a escolha correta. O filme preza por algo que está cada vez mais raro no cinema atual: o velho filme de terror que assusta sem ser gratuito, aquele que brinca com nossos medos psicológicos, com os receios mais primitivos. A premissa da história pode até ser batida e a maioria das pessoas corre o risco de sacar a reviravolta do roteiro antes do momento certo, mas ainda assim vale a pena conferir esse filme estranho – porém competente no que promete cumprir.

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3_Corrente do mal

Corrente do mal, 2014; dir: David Robert Mitchell

Com trilha sonora independente e eletrônica, ambientando o filme como se fosse uma peça rara dos anos 80, Corrente do mal tem todo o estilo cru de um John Carpenter. O vilão do filme, no entanto, é invisível, um serial killer transmitido através de um ato primordial para qualquer ser humano e que começa a se manifestar em uma das épocas mais conturbadas: a adolescência. Junte aí a fotografia inteligente e cortes seguidos por cenas perturbadoras. Se você esperar por um final redondinho, então é melhor parar por aí. It follows não se importa em entregar uma trama com começo, meio e fim, e isso já é muito relevante quando se trata de um terror americano.

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4_Divertida mente

Divertida mente, 2015; dir: Pete Docter e Ronniel Del Carmen

Uma das inspirações para os filmes da Pixar sempre foi Hayao Miyazaki e isso sempre ficou claro, tanto para o espectador quanto para os próprios realizadores. Em Divertida mente, porém, a Pixar parece abraçar de vez as melhores influências que o mestre japonês da animação poderia passar e entrega um filme completamente adulto (mas, ainda assim, perfeitamente direcionado para as crianças). Acompanhar a pequena protagonista através de seus sentimentos não é apenas uma sacada que movimenta o filme do começo ao fim, mas sim tentar não se emocionar com diversos diálogos e, o principal, aprender que sem a tristeza, não seríamos felizes. Complexo demais? De forma alguma. Inside out traduz o que há de mais complicado em nossos cérebros da maneira mais lúdica e bonita possível. Filmão.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

5_O homem irracional

O homem irracional, 2015; dir: Woody Allen

Assistir a um filme de Woody Allen no cinema é sentir-se em casa. Sabemos como ele começa, com seus créditos em ordem alfabética e uma música aconchegante tocando de fundo (um jazz sedutor), acompanhamos logo depois o personagem principal se apresentando através de uma narração off e, a partir daí, Allen pode nos surpreender. Me parece que o momento de inspiração voltou para o cineasta nesse O homem irracional, com uma atuação interessante de Joaquin Phoenix dentro de uma comédia repleta de ironias e diálogos filosóficos. A ironia principal fica para o final do filme. E vale a sessão.

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6_Jurassic world

Jurassic World: o mundo dos dinossauros, 2015; dir: Colin Trevorrow

A volta de uma das franquias mais famosas do cinema é sempre um terreno perigoso: para os fãs, que esperam sempre uma continuação melhor que a anterior; e para o estúdio, na expectativa de fazer milhões ou até bilhões na arrecadação. No caso de Jurassic world, tudo bem para todos. O filme trouxe o divertimento que faltava a Jurassic park III e o clima de aventura que Spielberg prezou no original. É claro que o filme cai sobre os ombros de Bryce Dallas Howard e Chris Pratt, mas ambos dão conta do recado – ou fugir de um tiranossauro rex usando saltos é pouco para você? Obrigatório para os fãs dos dinos.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

7_Mad Max

Mad Max: estrada da fúria, 2015; dir: George Miller

Vamos chover no molhado e elogiar Charlize Theron e sua Imperatriz Furiosa? Falar bem da (proposital) fotografia acelerada? Da loucura que é acompanhar as perseguições e sequências de ação desse filme? Não importa se você não acompanhou os capítulos anteriores da obra de Miller, Mad Max: estrada da fúria é um filmaço. Não perca a oportunidade de ver um guitarrista fazendo solos enquanto é içado de um carro e a trilha sonora industrial de Junkie XL (o DJ responsável pelo remix de “A little less conversation”, de Elvis Presley).

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8_Missão impossível

Missão Impossível: nação secreta, 2015; dir: Christopher McQuarrie

Quem diria que em 2015 ainda veríamos Tom Cruise como o agente secreto Ethan? E o fôlego é grande, para o ator e para o público também. O filme é divertido o bastante e traz Cruise correndo (de verdade) como se não houvesse amanhã e presente (de verdade, sem dublês) em cenas de ação, digamos, um pouco perigosas – como se segurar à porta de um avião enquanto ele decola, por exemplo. E se você acha que a divulgação em massa dessa cena (em trailer e pôsteres) estraga o filme, está enganado: Nação fantasma ainda guarda muitas surpresas e sequências de ação de tirar o chapéu. Pegue a pipoca e prepare-se para ouvir mais uma vez o tema de Missão impossível tocando na tela.

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9_Que horas ela volta

Que horas ela volta?, 2015; dir: Anna Muylaert

O cinema nacional prova, a cada ano, a sua importância e qualidade com filmes como Que horas ela volta?. Enquanto a maioria das salas de cinema do país passam enlatados como Até que a sorte nos separe e afins, o novo filme da diretora Anna Muylaert surpreendeu não apenas pela sua abrangência, mas principalmente por sua repercussão. Repleto de diálogos cortantes e situações constrangedoras para as camadas sociais mais abastadas – ou não, gente rica sempre acha que está certa -, a obra é Regina Casé e vice-versa. Mas também é a jovem atriz Camila Márdila, roubando todas as cenas em que está presente. Se ver os filmes de Leandro Hassum é uma opção, Que horas ela volta? é uma obrigação cultural (num bom sentido, é claro).

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10_Relatos selvagens

Relatos selvagens, 2014; dir: Damián Szifrón

A linha tênue entre o racional e o selvagem. Quantas vezes pensamos em perder o controle nas mais diversas situações? Bem, o diretor Damián Szifrón faz questão de reunir diversos contos nesse longa surpreendente por sua qualidade técnica e humor negro. Prepare-se para presenciar uma das cenas mais inacreditáveis do cinema, se identificar com a vingança de uma noiva em sua própria festa de casamento e rir da desgraça alheia sem um pingo de culpa. A crítica social está injetada em todos os segmentos, então não pense que não há peso no roteiro de Relatos selvagens. Surpreenda-se com o cinema argentino.

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11_Vício inerente

Vício inerente, 2014; dir: Paul Thomas Anderson

Joaquin Phoenix na pele de um detetive que vive mais chapado com maconha do que na realidade em si. Precisa de mais motivos para assistir a Vício inerente? Claro: a direção sempre maestral de PTA, com sua linguagem cinematográfica através da fotografia noir que registra uma Los Angeles dos anos 70. Isso sem contar a trilha sonora e a presença de cena mais do que bem-vinda da jovem Katherine Waterston. E o roteiro é baseado na obra homônima de Thomas Pynchon – anote esse nome para sua próxima leitura.

Clique aqui para ver o trailer do filme.

12_Whiplash

Whiplash: em busca da perfeição, 2014; dir: Damien Chazelle

Teste fatal para qualquer cardíaco, o filme que rendeu um Oscar para a embasbacante atuação de J. K. Simmons constrói sua tensão aos poucos, mas ela é inevitável da metade para o fim da projeção. Sinta-se na pele de um aprendiz que deseja ultrapassar a perfeição através do comando de um dos professores mais odiosos que o cinema já teve o desprazer de criar. O mais incrível? O diretor de Whiplash foi um dos roteiristas de O último exorcismo – Parte 2.

Clique aqui para ler a resenha do filme e aqui para ver seu trailer.

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Filmes, Listas

Os 15 Melhores de 2014

Confesso que assisti muitos filmes bons em 2014. Prolongar muito a lista de melhores perderia o efeito, bem, de ser uma lista de fim de ano. Assim como no ano passado, não quero transformar minha lista em um ranking, sugerindo que filme x seja melhor que o filme y; por isso os filmes seguirão ordem alfabética para que você se sinta à vontade e escolha aquele que desejar para sua próxima sessão.

(Coloquei e tirei e coloquei novamente diversos filmes na lista. Mas o corte final é o que se segue)

Pôster: Ignition Print, 2013

12 Anos de Escravidão, 2013; dir: Steve McQueen

Sempre fico com o pé atrás com filmes demasiadamente comentados – ainda mais se for um indicado máximo ao Oscar e a todas aquelas premiações de começo de ano. Admito que não tinha muita curiosidade por 12 Anos de Escravidão, por isso assisti o filme sem expectativas. Mas não tem como: Steve McQueen não se acovarda diante da plateia e não toma atalhos para mostrar a realidade crua e aterradora da escravidão. Não apenas pela história, a obra também vale por seus detalhes técnicos e estéticos, dignos de uma boa discussão cinéfila.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Art Machine & Animal Logic, 2014

Uma Aventura LEGO, 2014; dir: Phil Lord, Christopher Miller

Se com a Pixar – e agora com o Disney Animation Studios – nós nos acostumamos a ver animações que pareciam cada vez mais voltadas para o público adulto, deixando para as crianças as piadas de humor físico e afins, foi uma surpresa boa e divertida assistir Uma Aventura LEGO logo no começo do ano. Repleto de referências à cultura pop e nerd, a animação não se prende a nenhum tipo de seriedade e – melhor – assume as características do universo Lego em todos os aspectos. Frenético, colorido e com piadas na medida certa, o filme veio para competir com as outras animações deste ano.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Os Boxtrolls, 2014; dir: Graham Annable, Anthony Stacchi

O estúdio Laika, após ficar mundialmente conhecido por Coraline, voltou aos cinemas, este ano, com um filme que provavelmente irá agradar mais as crianças quando elas estiverem crescidas. Isso porque Os Boxtrolls, apesar de seu carisma em stopmotion e seus monstrengos simpáticos, possui temas incrivelmente sérios, críticos e que desferem tapas de luva de pelica a todo momento em sua plateia. Desde o 3D de imersão até a sua estética que causa estranheza, o filme merece ser não apenas assistido, mas apreciado – na infância e em outros momentos da vida.

Confira a resenha do filme aqui.

Boyhood (Pôster)

Boyhood: da infância à juventude, 2014; dir: Richard Linklater

A premissa de Boyhood é comum: acompanhar a vida de um garoto até a sua adolescência. O diretor Richard Linklater, no entanto, decidiu usar os mesmos atores e filmá-los ano a ano, conferindo uma experiência cinematográfica interessante e que com certeza levará muitas pessoas a se identificarem com as situações vividas pelo protagonista. Não vá com muitas expectativas, porém: o filme é bom e possui um elenco afinadíssimo, mas vale mais pela experiência do que por seu enredo.

Pôster:  InSync + BemisBalkind, 2014

Chef, 2014; dir: Jon Favreau

Não se entregando à tentação de se passar apenas por um food porn simplista, Chef faz questão de encucar em seu espectador diversas reflexões sobre a vida, principalmente sobre nossas escolhas profissionais e de que forma elas nos influenciam. Favreau conduz o filme de forma leve, além de estar cercado de atores que o deixam à vontade para se transformar em um chef que, aos poucos, aprende o valor da paternidade e de sua profissão.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: aSquared Design Group, 2013

Ela, 2013; dir: Spike Jonze

Spike Jonze conseguiu, de forma bela e onírica, criar uma história de amor entre um homem e uma máquina. Talvez o detalhe mais singelo de Ela não seja a voz melódica de Scarlett Johansson, mas a forma como Jonze conduz sua câmera, registrando uma paleta de cores quentes e um sorriso melancólico na magnífica interpretação de Joaquim Phoenix. Mas o filme não estanca as possibilidades em seu lado bonito; o agridoce de Ela também está nas consequências de um amor que une um ser humano e um sistema operacional que não possui vida real – apenas na cabeça do protagonista.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Kellerhouse Inc, 2014

Garota Exemplar, 2014; dir: David Fincher

David Fincher discutiu mais uma vez com chefões de estúdio, mas seu esforço valeu cada segundo: Garota Exemplar não é só uma das melhores surpresas do ano (realmente esperava mais do filme como obra por causa de Fincher, e menos como história por causa de uma autora que não conhecia), como entrega uma das cenas mais chocantes e impactantes do cinema. É de sair da sessão abestalhado, inconformado e desnorteado com tudo o que se viu na tela da sala escura.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Godzilla, 2014; dir: Gareth Edwards

Muita gente chiou com a nova versão de Godzilla. As reclamações foram vastas: o monstrengo demora para aparecer, muito falatório e pouca ação, filme muito escuro. Mas acredito que os fãs de longa data de Gojira mereciam um filme à altura da fama do monstro japonês, e o filme dirigido por Gareth Edwards cumpre, minimamente, com essa missão.

Confira a resenha do filme aqui.

The Grand Budapest Hotel (Pôster)

O Grande Hotel Budapeste, 2014; dir: Wes Anderson

A estética de Wes Anderson é para poucos. Muitas pessoas se incomodam com os enquadramentos metódicos do diretor e as disposições milimetricamente pensadas em cada frame de seus filmes. Mas O Grande Hotel Budapeste traz, além dos maneirismos já mais do que conhecidos de Anderson, uma história divertida, com personagens carismáticos e uma interessante homenagem metalinguística. O diretor, dessa vez, até ousa com cenas gráficas – e acredite, elas são para gerar humor.

Pôster: BLT Communications

Guardiões da Galáxia, 2014; dir: James Gunn

Não consigo me divertir com os filmes dedicados aos heróis da Marvel. Neste ano, porém, deixei meus princípios pessoais de lado e resolvi dar uma chance para Guardiões da Galáxia. E parece que escolhi bem minha estreia no universo Marvel. Carregado de referências aos anos 80, personagens carismáticos e totalmente desprendidos com qualquer tipo de seriedade, o filme ainda faz questão de ser conduzido por uma trilha sonora retrô, pop e dançante. Meio difícil não se deixar levar pelo grupo de heróis mais desajustado já visto no cinema.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Lacuna Filmes, 2014

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, 2014; dir: Daniel Ribeiro

Esperado desde o lançamento do curta que lhe deu origem, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho encanta não só pela direção segura e pelo roteiro que não se rende a estereótipos baratos: o maior diferencial da obra é apresentar uma história de amor adolescente não defendendo a causa gay, mas usando-a como metáfora para passar a mensagem de que amar não enxerga cor, religião, sexo e etc. O protagonista ser cego só reforça essa mensagem mais do que bem vinda para todas as próximas gerações.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Mecanismo Films, 2013

O Homem Duplicado, 2014; dir: Dennis Villeneuve

Baseado no livro de José Saramago, o longa do diretor canadense não deixa nada mastigado para o espectador. Assistir O Homem Duplicado é tentar encontrar sentido em um emaranhado de sequências e metáforas construídas de forma magistral. A atuação precisa e surpreendente de Jake Gyllenhaal só adiciona mais camadas ao desafio.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Concept Arts 2014.

Interestelar, 2014; dir: Christopher Nolan

Interestelar já pode ser considerado o filme em que Christopher Nolan deixa de lado suas preferências cerebrais e engatinha em temas mais emocionais, refletindo, inclusive, sobre o maior deles: o amor. Ligado a isso, o diretor traz uma história que trata sobre o tempo. Em uma projeção que ainda conta com grandes atuações (olá, Matthew McConaughey), efeitos visuais e sonoros que deixam qualquer um vidrado em suas cenas, ainda há tempo para discutir teorias físicas modernas.

Confira a resenha do filme aqui.

Jeune et Jolie (Pôster)

Jovem e Bela, 2013; dir: François Ozon

O mérito do francês Jovem e Bela estar aqui é pelo diretor François Ozon não tratar a protagonista como vítima, mas sim como alguém que assume a prostituição como mera opção de trabalho. Seria curiosidade? Seria prazer? O fato de ser uma adolescente só adiciona mais tempero ao filme belamente fotografado. Leves comparações à Belle de jour são bem aceitas.

Pôster: BLT Communications

O Lobo de Wall Street, 2013; dir: Martin Scorsese

A ideia de assistir Leonardo DiCaprio interpretando um homem inescrupuloso que encontra um meio de ganhar milhões de dólares da maneira mais rápida e ilegal possível, gastando toda a grana com mulheres, sexo, drogas e coisas inimagináveis ao longo de um filme de três horas parece cansativo? Seria, talvez, se O Lobo de Wall Street não tivesse sido dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese. E o ritmo é acelerado além da conta: ao terminar o filme, a impressão é que nós, o público, participamos também de todas as loucuras do protagonista.

Confira a resenha do filme aqui.

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Filmes

Ela

Em 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968), o computador HAL 9000 era inteligente e avançado em sua tecnologia o bastante para realizar julgamentos e cometer crimes. O autor Arthur C. Clarke, inclusive, contou em entrevista que discordava de Stanley Kubrick quanto à capacidade de HAL fazer leitura labial – enquanto ele não enxergava tal possibilidade para os computadores, mesmo no futuro, o visionário diretor continuou a insistir na ideia até incluir tal cena no roteiro do filme, mostrando que HAL conseguia saber o que os astronautas andavam sussurrando uns aos outros em sua presença. “Stanley estava certo”, constata Clarke, rindo. Se lá nos idos dos anos 60, prevendo o que explodiria no final do século XX, início do XXI, Stanley Kubrick foi capaz de deixar plateias inteiras arrebatadas pelo roteiro intricado, pelos efeitos visuais vanguardistas e pela assustadora presença de HAL, hoje estamos diante de um filme bem diferente de 2001, mas que traz consigo um personagem parecido para mexer com as filosofias do espectador: Samantha.

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Ganhador do Globo de Ouro de Melhor Roteiro e do Oscar de Melhor Roteiro Original, Ela (Her, 2013) nos faz refletir, em primeiro lugar, sobre nossa existência e as relações (amorosas, principalmente) que possuímos com as outras pessoas ao colocar o protagonista, Theodore (interpretado por Joaquim Phoenix), diante de uma situação inusitada: ao comprar um sistema operacional inteligente e intuitivo, o escritor se apaixona por ele. É cômico observar como a ideia em si, separada de qualquer contexto, é de uma estranheza e ridicularização simples. Mas é compreensível ver como Theodore vai se perdendo cada vez mais na voz doce de Samantha, inteligente o bastante para fazê-lo contente com as coisas exatas, levá-lo para lugares ideais e ajudá-lo em qualquer situação, desde na revisão dos textos de seu trabalho, até na escolha do presente de aniversário da afilhada. Tendo como companhia a voz de uma mulher que o auxilia em qualquer situação e sussurra, em seu ouvido, o quanto ele a faz feliz, resultaria, no mínimo, em uma felicidade instantânea para o escritor que ainda se encontra em processo de divórcio da única mulher que verdadeiramente amou. E comparar a diferença entre a voz modelada de Scarlett Johansson, que dá vida à Samantha, e a frieza monocórdia de HAL é constatar como a evolução tecnológica pode muito bem ocorrer a ponto de diluir os limites entre o que é humano e o que é máquina.

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Se a relação do escritor com Samantha é algo ideal devido à intuição codificada do sistema, que se expande conforme Theodore vai realizando pedidos e tarefas, era também de se esperar que essa relação amorosa sempre se mantivesse em um bom estado. Esse bem-estar hipotético seria uma expectativa inversamente proporcional ao relacionamento passado de Theodore, que se apaixonou por Catherine com a mesma intensidade que tudo ruiu de um momento para o outro, conduzindo-o para a solidão e depressão. E, mesmo quando Samantha aconselha Theodore para que este aceite a sugestão de um encontro com uma amiga de um amigo, o desastre impera a partir do momento em que a exigência de relacionamento sério surge e o protagonista, ainda perdido em seus sentimentos, sente que a única certeza de se sair bem sucedido é em sua própria solidão. Essa leva de acontecimentos e lembranças serve para reforçar ainda mais os laços que o personagem de Phoenix cria com Samantha, levando-o a assumir o relacionamento publicamente e finalmente se sentir feliz e realizado por estar com alguém – mesmo que esse alguém não exista fisicamente e, ainda mais, seja gerado por linhas de códigos escritas por programadores visando o bem-estar de um público-alvo através de um produto. Se for deprimente analisar por esse lado, Theodore não perde suas energias tentando encontrar sentido racional em algo que ele sente de maneira genuína e emotiva, transformando tudo o que sente por Samantha em algo simples e puro.

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Com um roteiro que se baseia nos diálogos entre Theodore e Samantha para construir um clima e um ambiente de romance que não soam piegas, além de jogar com imagens em flashback que apenas sugerem – não precisando, assim, de diálogos -, o diretor Spike Jonze cria uma obra que discute uma das relações mais debatidas por poetas, escritores e artistas em todos os tempos dentro da era em que vivemos, a que preza pela velocidade e evolução das tecnologias e que exige, a cada segundo, mais informações sobre cada vez mais coisas. A principal questão que se evoca em Ela não é o fato de Theodore estar apaixonado por uma máquina, mas o por que dele ter se apaixonado por algo que não é humano (algo que se expressa através de certa indignação por sua ex-mulher em determinada cena). Por que Samantha é capaz de fazê-lo sorrir feito bobo e se sentir vivo enquanto um encontro com uma moça aparentemente legal e interessante o faz se sentir inseguro, deslocado e confuso? E, quando a primeira desilusão com o sistema operacional acontece, é interessante ver como Jonze brinca com a questão de que seria fácil para Theodore “se livrar” daquele relacionamento: quando o protagonista discute com Samantha, o diretor dá close em um bueiro fumegante, quase contando para o espectador o real desejo de Theodore naquele momento, mesmo que este seja passional e efêmero.

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

O que também encanta em Ela é sua fotografia: prezando por ambientes banhados pela luz solar, a lente de Spike Jonze sempre está contra o sol ou, quando o contrário, mostrando o protagonista envolto em uma escuridão azulada. É irônico notar, a partir daí, como a casa de Theodore é confortável, espaçosa e arejada, assim como sua mesa de trabalho lhe dá liberdade para criar, por exemplo; todos os ambientes são propícios para que o protagonista se sinta bem e realizado, mas nada disso é relevante enquanto Theodore não encontrar uma parceira ou, mais ainda, enquanto ele não se encontrar. E a ironia torna-se maior quando é acompanhada pela trilha sonora recheada de pianos e cordas. “Tocar música melancólica“, aliás, é um dos primeiros comandos que ouvimos Theodore dizer para seu computador portátil antes de comprar Samantha. Depois, ela mesma faz questão de mostrar as canções que compõe, dizendo se inspirar na relação de ambos.

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Imagem: Warner Bros. Pictures, 2013

Ela, então, merece os louros pela inventividade ao retratar uma relação amorosa. É com certa preocupação, porém, que podemos ver essa história de amor escrita por Spike Jonze. O diretor reúne ali os elementos necessários para que a reflexão ocorra depois da sessão. Entre cenas cômicas e situação embaraçosas, o público acaba com um gosto amargo embaixo da língua quando a ficha verdadeiramente cai. Pois a probabilidade de relacionamentos com sistemas operacionais acontecer é grande. E a solidão advinda da já escassa comunicação pessoal entre nós pode contribuir ainda mais para a realização dessa “ficção” bem orquestrada pela câmera e texto de Spike Jonze, pela voz cativante de Scarlett Johansson e pelos olhos melancólicos de Joaquim Phoenix. É ir procurar lã e voltar tosqueado.

Pôster: aSquared Design Group, 2013

Pôster: aSquared Design Group, 2013

Her, dirigido e escrito por: Spike Jonze.

Com: Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Amy Adams, Chris Pratt.

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