Os melhores discos de 2017

Listas, Música

Dezembro chegou e está na hora de sentir, além do cheiro de Natal, ceia, chester, presentes e aquele churrasco em família que você quer evitar, o cheirinho de listas de melhores e piores do ano. Assim como todo ano, quando posto minha opinião sobre os melhores filmes que assisti, hoje é dia de ler uma lista de quinze álbuns musicais que me agradaram bastante. Não que você tenha pedido por essa lista, mas é sempre bom descobrir coisa nova, ainda mais quando se fala em música. Como sempre, minha lista não será um ranking, muito menos estará na ordem por preferência – seja ela qual for -; para não haver injustiças entre as obras, vou colocá-las por ordem alfabética de artistas, e aí cabe a você julgar e dar uma chance para cada uma delas.

Ah, caso você queira conhecer a lista do ano passado, é só clicar aqui.

Sem mais, eis os quinze discos que mais ouvi e gostei ao longo de 2017.

“Everything now”, por Arcade Fire

arcade fire

Minha relação com Arcade Fire intensificou-se em 2013 quando os canadenses lançaram Reflektor, um de seus trabalhos mais ambiciosos, passando por temáticas muito caras a mim – como a mitologia clássica grega e romana. Este ano, porém, a banda mergulhou em uma onda crítica através da criação de uma corporação fictícia chamada, obviamente, Everything Now, investiu em um marketing pesado (o que transformou-se em uma autoironia deliciosa ao longo do disco) e nos presenteou com um álbum que não deixa de lado o jeito Arcade Fire de ser, ou seja, corais de vozes, arranjos de cordas que se espalham ao longo das faixas e letras cujo conteúdo deixa você para baixo quando menos espera (vide “We don’t deserve love”, a derradeira música). O vocalista Win Butler deixou claro, desde o início, a influência principal para Everything now: o grupo pop sueco ABBA, impossível de notar já nas primeiras notas do piano da faixa-título. Viajar por esse disco é passar por assuntos que variam de intensidade, mas todos apontam para a mesma direção: é preciso tomar cuidado com o mundo atual, já que queremos tudo e para já (é a mensagem inicial em “Everything now”) e, no final, nós ficamos sem aquilo que, invariavelmente, mais importa (o recado sem volta da última faixa, a já citada “We don’t deserve love”). De quebra, a primeira e última “música” do disco são, na verdade, metades de um mesmo todo, que, se ouvido em plataformas digitais, causam a sensação de infinito, de algo cíclico, algo explorado pela banda desde a divulgação embrionária de Everything now. Respire fundo e aproveite o Arcade Fire de 2017. No próximo disco eles provavelmente não serão mais os mesmos. Ainda bem.

» Ouça / veja: “Everything now“, “Creature comfort“, “Electric blue

“Utopia”, por Björk

björk

Se em 2015 a islandesa Björk sofria com o recente término de seu casamento e expressava sua dor no ótimo Vulnicura, a ordem agora é sentir o extremo oposto. Utopia, ao contrário, é uma ode idílica à felicidade e aos sentimentos positivos. Repleto de samples com sons de pássaros cantando, flautas doces e batidas eletrônicas que remetem a paisagens serenas e distantes, o novo disco é a cicatriz definitiva para a sangria de Vulnicura. Ainda em parceria com o produtor deste, o colombiano Arca, Björk aqui vai soar levemente como sua persona do começo da carreira solo, lá nos idos dos anos 90, seja por sua voz cada vez mais poderosa, seja pelos arranjos que misturam o poder da eletrônica com a força dos instrumentos clássicos, tornando Utopia um disco ainda para poucos (afinal, estamos falando de Björk e seu estilo peculiar), algo presente desde sua capa, uma imagem difícil de agradar os olhos logo de primeira. Em entrevistas, a cantora afirmou que Utopia é seu Tinder musical; depois de algumas audições, dá para perceber porque a brincadeira de Björk faz sentido: Utopia pode impactar menos que seu antecessor, mas não deixa de ser uma brincadeira sonora divertida de experienciar. Mal não vai fazer.

» Ouça / veja: “The gate“, “Blissing me

“Nues”, por Brigitte

brigitte

A fim de conhecer um som que foge do comum? Bem, dá para indicar um dupla de pop-folk francês, está bom para você? Aliás, por mais indie que isso soe, depois de ouvir pela primeira vez o duo Brigitte, formado pelas parisienses Aurélie Saada e Sylvie Hoarau, impossível não dar a elas uma segunda chance. Conheci o som de Brigitte por acaso, vendo o clipe para a música “Hier encore“, do disco anterior, uma faixa que revive a música disco dos anos 70 de maneira genuína, lembrando muito “Voulez-vous”, do ABBA, e soando agradavelmente para qualquer ocasião. As vozes de veludo de Aurélie e Sylvie continuam encaixando-se harmoniosamente com as novas canções de Nues, numa investida que, ao mesmo tempo, não se arrisca muito (afinal, ainda há flertes bem sucedidos com o disco) e transgride um pouco a própria zona de conforto como em “La morsure”. Seja em som ambiente para um jantar entre amigos ou ferveção geral numa pista de dança mais alternativa, Brigitte é uma descoberta deliciosa. Não perca mais seu tempo.

» Ouça / veja: “Palladium“, “La morsure“, “La baby doll de mon idole

“Pleasure”, por Feist

feist

Ainda numa pegada mais independente, o novo disco da Feist já pode entrar na lista de álbuns prontos para te deixar um pouco mais na bad. Não que seja um lamento sem fim: “Pleasure”, como o próprio nome diz, vai girar em torno desse sentimento tão almejado por nós, seres humanos. Da faixa-título à última música, a cantora não deixa nada tematicamente de lado. A economia no arranjo, usando poucos instrumentos para cada música, dá um toque ainda mais rústico para o material do álbum. Substitua a Feist “animadinha” do relativo sucesso comercial “Mushaboom” (música inclusive pertencente à trilha-sonora de (500) dias com ela [(500) days of summer, 2009] pela cantora mais madura e segura de si em Pleasure.

» Ouça / veja: “Pleasure“, “Century

“Something to tell you”, por HAIM

haim

Foram longos e arrastados quatro anos de espera entre o primeiro e fantástico álbum de estreia das irmãs HAIM, Days are gone, em 2013, e o atual Something to tell you. A espera, no entanto, valeu cada minuto. Ainda banhando-se em suas influências musicais oitentistas e produzindo um som rejuvenescedor para qualquer ouvido, o pop de HAIM não veio para brincar; as três irmãs, com formação musical desde a infância por causa dos pais músicas, cantam, mais uma vez, essencialmente, sobre o amor; melhor dizendo: cantam sobre os sentimentos pós-relacionamento. Se elas têm algo a nos contar, como o nome do disco sugere, com certeza será por meio de batidas pegajosas, sintetizadores que ainda remetem muito bem aquele Michael Jackson de Thriller e letras com melodias intricadas, mas totalmente chicletes. Para se apaixonar de vez por elas, vale conferir os clipes lançados ao longo dessa nova fase, sua maioria dirigida pelo cineasta Paul Thomas Anderson; neles, fica mais do que claro o talento de cada uma delas, não apenas como profissionais da música, mas também como atrizes diante de uma câmera. É muito talento para três irmãs.

» Ouça / veja: “Right now“, “Want you back“, “Valentine“, “Little of your love

“hopeless fountain kingdom”, por Halsey

halsey

A voz de Halsey estourou com o single “Closer”, dos Chainsmokers, no ano passado. Mas seu talento vai muito além de emprestar os vocais para duplas de música eletrônica. Porém cuidado: aqui a bad é confirmada. Mais do que isso, hopeless fountain kingdom é uma carta endereçada aos corações frustrados, esquecidos e esmagados. Não que você não irá aproveitar caso não esteja em nenhuma das situações anteriores; o álbum traz arranjos pop prontos para a recepção comercial de uma estação de rádio, e também consolida, no mercado, mais uma cantora da atual geração de cantores que agora, além da venda de discos, precisam disputar atenção na internet e, consequentemente, dentro das paradas dos serviços de streaming.

» Ouça / veja: “Bad at love“, “Strangers

“Coração”, por Johnny Hooker

johnny hooker

Há uma leva nova de artistas brasileiros extremamente bons. Silva, Mahmundi, Liniker, só para citar alguns. Dá para incluir nesse grupo também Johnny Hooker. Dono de uma voz forte e rasgada, repleta de personalidade, Hooker já era conhecido por sua música “Volta”, presente na trilha-sonora do ótimo Tatuagem (2013), mas em Coração sua presença vem para marcar-se ainda mais no cenário musical nacional. Já iniciando com uma entrada impactante em “Touro”, Coração é um desfile de produções musicais arrojadas, com direito a temáticas populares, universais e pessoais. Com participações de Gaby Amarantos (e que adiciona uma camada de força ainda maior para a faixa “Corpo fechado”) e Liniker (“Flutua”), o disco ainda termina com uma marchinha de carnaval à la crítica social que cai com uma luva para os tempos conservadores do Brasil de 2017. Quem será o sortudo a conquistar o coração de Johnny Hooker?

» Ouça: “Touro“, “Caetano Veloso“, “Escandalizar

“DAMN.”, por Kendrick Lamar

kendrick lamar

Engraçado como as coisas são. Ano passado descobri o som de Frank Ocean. Neste ano, foi a vez de Kendrick Lamar. Digo que as coisas são engraçadas pois Lamar é um dos rappers mais críticos à sociedade americana e mundial na qual vive atualmente, mas é a mesma sociedade, em sua modernidade líquida efêmera, que fez dele um sucesso comercial. Não que isso seja de todo ruim, afinal, ser conhecido agora, faz com que sua música seja mais ouvida e descoberta por mais gente. E foi o meu caso. Talentoso com as rimas que produz, as melodias que percorrem as batidas fortes desse seu DAMN. atingem até mais os menos empáticos com os problemas sociais enfrentados pelas minorias. Impossível não se deixar levar pelos primeiros versos em “BLOOD.” e viajar através das palavras cantadas de Kendrick Lamar. Música de primeira qualidade.

» Ouça / veja: “HUMBLE.“, “DNA.“, “ELEMENT.“, “LOYALTY. (feat. Rihanna)”

“Rainbow”, por Kesha

kesha

Cinco anos com muitos processos e angústias depois, Kesha volta fortalecida. Ainda com um pé no pop / punk peculiar ao seu estilo, com pitadas de glam rock, a cantora agora precisa desabafar. Metáforas? Analogias elaboradas? Não. Kesha prefere ser direta ao ponto. E se Rainbow começa com “Bastards”, uma canção que mais parece fim de balada do que introdução a um álbum pop, o seu recado chega de maneira efetiva. Cansada com tudo e com todos, ela canaliza sua raiva, rancor e mágoas nas músicas, estas que variam entre baladas catárticas como “Praying” e pop rock de garagem como a deliciosa “Let ‘em talk”. Há espaço também para um feminismo direto e reto em “Woman”, uma das músicas com mensagem mais direta a todas as polêmicas envolvendo seu antigo produtor, o mainstream Dr. Dre. Esqueça a Kesha pop-farofa de “Tik tok” e “Shake it off”; se você ainda quer ouvir suas músicas, é preciso se preparar para uma Kesha mudada – mas também liberta de todas as suas correntes. Um alívio para os ouvidos.

» Ouça / veja: “Praying“, “Woman (feat. Dap-Kings)”, “Learn to let go“, “Rainbow

“american dream”, por LCD Soundsystem

lcd soundsystem

Se James Murphy foi um dos principais responsáveis pela identidade sonora do álbum Refletor, do Arcade Fire, ao ouvir american dream, as coisas ficam bem claras. Seu estilo paulatino, com faixas estendidas, texturas sonoras que vão uma se acumulando à outra ao sabor de cada compasso, faz desse novo disco uma apoteose sonora. Não ouça american dream com pressa, muito menos desatento. A experiência completa exige de você uma audição atenta e minuciosa, ou grande parte da riqueza dos arranjos eletrônicos de Murphy se perderá. E se David Bowie, à época, praticamente exigiu que James Murphy voltasse e revivesse o LCD Soundsystem, não podemos ignorar sua música.

» Ouça / veja: “call the police“, “american dream“, “tonite

“Ti amo”, por Phoenix

phoenix

Os franceses do Phoenix já têm uma carreira sólida, diga-se de passagem. Talvez seja essa segurança que forneceu ao grupo a vontade de criar um álbum como Ti amo. Repleto de referências ao verão europeu, o disco é, assim sendo, uma homenagem à estação do ano dedicada às praias, calor, suor, sorvetes e férias. Aliás, ouvir Ti amo é ser transportado a uma praia italiana, com direito a um gelato nas mãos, óculos escuros no rosto e protetor solar na ponta do nariz. É um som refrescante e animador, com a presença óbvia dos já famosos sintetizadores do Phoenix, além da voz ardida do vocalista Thomas Mars. Não se engane, apesar do grande sucesso, Phoenix vai muito além do hit “1901”.

» Ouça / veja: “J-boy“, “Ti amo

“Villains”, por Queens of the Stone Age

queens of the stone age

Gutural, dilacerante, grave. São bons adjetivos para definir o novo disco dos QOFTSA. A entrada triunfal com “Feet don’t fail me” só é a ponta do iceberg, pois há toda uma progressão temática e musical ao longo das 9 faixas. Espere por guitarras inspiradas e baixos comandando o tom de cada música, numa sinfonia digna da palavra rock’n’roll. Não é um disco longo porém: em menos de 50 minutos, os Queens of the Stone Age dirão o que têm pra dizer. E bem dito.

» Ouça / veja: “The way you used to do

“Wonderful wonderful”, por The Killers

the killers

Muita gente torceu o nariz para Battleborn, o até então último lançamento de estúdio dos Killers. A banda de Las Vegas, que começou no meio indie e estourou com “Mr. Brightside” e “Somebody told me” lá nos já longínquos 2004 hoje não pode mais se considerar pequena. Dona de shows gigantescos em arenas e estádios completamente abarrotados de gente em todo o mundo, The Killers atingiu seu topo com Day & age, em 2008, com produção de Stuart Price. Battleborn, no entanto, foi um balde de água fria para muitos dos fãs. Muitas pessoas acusavam a banda de estarem piegas demais, romântica demais. Outros já sentiam falta do empoderamento de Brandon Flowers e sua voz dolorosa em hits fabricados para serem tocados justamente nas arenas e estádios lotados. O fato é que, após um bom hiato de cinco anos, The Killers está de volta, e definitivamente não é a mesma. Em termos. Sua configuração de integrantes mudou, seu estilo também. Há, porém, aquele flerte com a fórmula de sucesso de “Mr. Brightside” no novo hit “The Man” e na potencialmente futuro hit “Run for cover”. Wonderful wonderful não se basta nos hits, todavia; há uma introdução apocalíptica, com toques bíblicos, uma marca recorrente na discografia da banda, com a faixa-título; “Life to come” é U2 sem tirar nem pôr, e não soa nem um pouco mal. Para aquela metade que não se importa com os Killers mais românticos e piegas, “Some kind of love” deverá agradar bem. Após experimentar e beber de diversas fontes, The Killers parece sinalizar uma estabilidade maior em seu estilo. Não é, de todo, uma preocupação, já que a qualidade de Wonderful wonderful não foi comprometida. Resta saber se a banda sobreviverá mais uma década sem se render ao cansaço. Esperamos muito que não.

» Ouça / veja: “The man“, “Run for cover

“I see you”, por The xx

the xx

É oficial: The xx agora está com seus pés no pop. Mas acalme-se: sua alma indie ainda persiste. Os manejos com os diversos samples do produtor Jamie Smith dão o tom alternativo para o novo álbum da banda, enquanto as vozes dos vocalistas Romy Madley e Oliver Sim confrontam-se e entrecortam-se de maneira harmônica. É o velho esquema de The xx que não falha, mas voltado para uma proposta mais aberta, sonoramente falando. I see you, inclusive, possui um tom mais positivo e menos introspectivo como os discos anteriores do grupo, xxCoexist.

» Ouça / veja: “On hold“, “I dare you

“What if nothing”, por WALK THE MOON

walk the moon

Foi difícil me desapegar do som de Talking is hard, álbum anterior da banda americana. WALK THE MOON possui um som pop que, apesar de todo o apelo comercial que possui, não se rende tão fácil ao som feito para o rádio. Ainda menos nesse novo disco, What if nothing, sendo “One foot”, talvez, a única exceção nesse sentido. Explorando experimentalismos mais elaborados nesse novo disco, a banda abusa mais de vocoders – em alguns momentos, distorcendo tanto a voz, tornando-a quase irreconhecível. Mas há, ainda, a temática mais recorrente para o grupo, ou seja, o constante pensamento naquele relacionamento que já acabou em “Surrender”, além de refrões extremamente pegajosos, como em “In my mind” e “Lost in the wind”. Ainda não me desapeguei de Talking is hard, mas será uma questão de tempo para me apegar demais ao What if nothing e o ciclo recomeçar.

» Ouça / veja: “One foot

(Bonus Track)

“Ici & maintenant (Here & now)”, por Yelle

yelle

Yelle talvez seja uma das cantoras pop francesas mais interessante da última década. Ela começou a produzir e publicar música nos idos de 2007, ainda no jurássico MySpace. Na época, seu maior sucesso era a grudenta “Ce seu”. Talvez seu álbum maduro seja o último lançado, Complètment fou, de 2014, com uma produção muito mais arrojada, mas sem perder o DNA de Yelle: sua irreverência e excentricidades pop. Como bônus, indico esse single lançado pela cantora este ano. Repleto de ironias aos problemas tão presentes nas vidas das pessoas do século XXI (ansiedade, depressão, hipocondrias no geral), a música carrega a identidade sonora da cantora, e é uma ótima porta de entrada para sua discografia ainda pequena, mas muito profícua. Vale a pena dar uma olhada.

» Ouça / veja: “Ici & maintenant (Here & now)

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Os melhores discos de 2016

Listas, Música

Passei muito tempo transitando entre a música pop e a independente. Já ouvi muita farofa de FM e muita banda desconhecida. Esse ano resolvi ampliar um pouco mais meu espectro musical, ainda que mantendo um pé no pop e, claro, no indie também. Passei pelo hip-hop e pelo eletrônico. Pela MPB através de releituras e um bom e velho synth-pop brasileiro pra botar muito gringo aí de queixo caído. Sem mais, vamos aos melhores álbuns desse ano?

Ah, a lista não está em ordem de pior para melhor, ou gênero, ou preferência musical. Resolvi colocá-la em ordem alfabética para que não houvesse nenhum problema em relação a esses detalhes. 🙂

“Freetown Sound”, por Blood Orange

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Conheci o projeto musical de Dev Hynes numa recomendação esperta do Apple Music. Como já disse, esse ano resolvi ampliar um pouco meu ouvido para outros gêneros, e o Blood Orange me pegou mais rápido do que eu poderia imaginar. Intimista, muitas vezes etéreo, o som de Hynes te leva para uma dimensão particular, repleto de depoimentos que se mesclam entre uma faixa e outra, acompanhando o ritmo dançante e, muitas vezes, reflexivo. Um dado curioso: Dev Hynes já compôs músicas para Sky Ferreira, FKA twigs, Florence + the Machine, Carly Rae Jepsen, The Chemical Brothers e Kylie Minogue. O rapaz não é fraco, não.

» Ouça / veja “Augustine” no YouTube.

» Ouça Freetown Sound no Apple Music.

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“Glory”, por Britney Spears

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A princesa do pop já conheceu o top da Billboard e o porão do fundo do poço nas clínicas de reabilitação. Foi tida como promissora, problemática, magra demais, gorda demais (you wanna a piece of me?). Enfim, uma autêntica artista pop, jogada na cova dos leões para que os tabloides a comessem viva quando bem quisessem. Bem, de uns tempos para cá, Britney Spears voltou, musicalmente falando, com tudo em Blackout, talvez seu melhor álbum; caprichou na produção sonora e visual em Femme Fatale, concorrendo, à época, com grandes destaques chamados Kesha e Lady Gaga; mas agora, em pleno 2016, ela parece estar aproveitando mais o fato de que enfim pode lançar um bom disco, promovê-lo de maneira autêntica e, principalmente, divertir-se com tudo isso. Talvez esse tempero seja o ingrediente necessário para Glory, um fôlego necessário para a carreira da cantora e, por quê não?, para nós também. Vida longa à princesa do pop.

» Ouça / veja “Slumber Party” no YouTube.

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“Fitz and The Tantrums”, por Fitz and The Tantrums

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Primeira vez que vi Fitz and The Tantrums foi no Lollapalooza de 2014 do Brasil (vi pela TV, pois não estava lá, infelizmente). Aparentemente mais uma banda desconhecida, os caras tomaram uma proporção grande da minha atenção nos dias seguintes enquanto eu dissecava o álbum deles da época, More Than Just a Dream. Um indie pop muito, mas muito chiclete, com direito a muitas músicas fofinhas, mas com letras ultra-depressivas. Isso melhora? Talvez. Apesar de ser um disco irregular, em minha humilde opinião de leigo musical, o novo álbum pode se tornar, ainda, mais próximo do que More Than Just a Dream sempre será. Aqui também temos músicas chiclete, mas Fitz and The Tantrums se afasta mais do som independente e mergulha num pop mais palpável para os famigerados hits de rádio e listas das mais tocadas. É um álbum divertido, no final das contas, dá pra dar uma boa atenção para ele.

» Ouça / veja “HandClap” no YouTube.

» Ouça Fitz and The Tantrums no Apple Music.

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“Skin”, por Flume

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Assim como Blood Orange, também descobri o Flume pelo Apple Music, em uma playlist sugerida em um dia qualquer. Se você anda procurando um som mais de boas, algo que se aproxime do chill out, mas também está com um pé no hip-hop e nas produções eletrônicas mais atuais (ou seja, que beba da mesma fonte dos caras do Major Lazer, por exemplo). Flume, na verdade, é o nome de palco de Harley Edward Streten, músico, produtor e DJ australiano. Seu som é limpo, cheio de batidas etéreas, algumas como que saindo de um sonho distante ou de uma trilha sonora de ficção científica. Dá pra dançar com Flume? Olha, acho que sim. Dá pra brisar bonito, isso sim. E já vale a pena.

» Ouça / veja “Never Be Like You (featuring Kai)” no YouTube.

» Ouça Skin no Apple Music.

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“Blonde”, por Frank Ocean

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Foi minha primeira experiência com Frank Ocean, e muito bem-vinda. Um R&B bem good vibes, às vezes misturado a um pop psicodélico, às vezes um som minimalista, tudo o que o seu ouvido pode pedir para um dia cheio de problemas e estresses. A voz de Ocean é macia, em alguns momentos coberta por camadas de efeitos eletrônicos, em outros totalmente límpida. O álbum ainda conta com participações de Beyoncé, Kendrick Lamar, Andre 3000, e teve produção, além do próprio vocalista, de Pharrell Williams e Jamie xx. Talvez seja um disco muito discutido ao longo dos próximos anos. Enquanto isso não acontece, o que nos resta é saboreá-lo.

» Ouça Blonde no Apple Music.

» Ouça Blonde no Spotify.

“Joanne”, por Lady Gaga

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Esse momento era inevitável. Para a maioria dos artistas pop que iniciam suas carreiras com hits estrondosos e vão alçando uma popularidade single após single, em algum momento tudo isso para e a direção musical dá uma guinada violenta. Agora com Joanne, Lady Gaga realmente deixou seus “Bad Romance” days para trás. Se você, assim como eu, não aguentava mais ouvir a cantora recitando sua fórmula contando com vários Romas e Gagas (abrindo o parêntese aqui para dizer que, sim, eu ouvi muito a música na época e, sim, eu ainda gosto dela, mas… tudo tem um limite, ok?), Joanne veio como um alívio sonoro na carreira da americana. Muita gente já está chiando, obviamente, esperando pelo momento em que Gaga voltará para a velha farofa bafônica para a próxima pista de dança. Creio que é desmerecer demais a sonoridade country / folk / rock do novo disco, um ótimo fôlego para tantos hits pop que a cantora lançou até 2013 (quando, a partir de seu ARTPOP, a guinada musical começou a apontar). Adotar também um visual mais limpo, deixando um pouco de lado suas excentricidades, está fazendo um bem danado para essa nova fase de Gaga. O disco é realmente bom, dê uma chance (ou segunda chance) a ele.

» Ouça / veja “Million Reasons” no YouTube.

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“Remonta”, por Liniker e os Caramelows

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Pude ter a honra de ver um show de Liniker e os Caramelows no começo do ano e confesso que foi uma das minhas melhores experiências ao vivo. Performático, feminino e masculino ao mesmo tempo, a imagem híbrida, camaleonesca, com quês de Ney Matogrosso e David Bowie, me deixaram uma boa hora extasiado. Isso sem contar a grande qualidade musical de Liniker, não só pelo seu alcance vocal, mas pelos arranjos caprichados e, principalmente, as letras que rasgam a nossa carne e alma. Como não se identificar com a ferocidade nua e crua de “Zero”, ou com o lirismo, o sonho e a calma de “Sem Nome, Mas Com Endereço”? É música brasileira de máxima qualidade.

» Ouça / veja “Zero” no YouTube.

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“Junk”, por M83

m83

Você não sabe, mas conhece o som do M83. Provavelmente deve ter ouvido essa música aqui, ó. Lembrou? Se você nunca ouviu, agora não vai conseguir parar mais. O projeto musical de Anthony Gonzalez já existe há algum tempo, mas a banda francesa de música eletrônica só estourou mesmo em 2011 com Hurry Up, We’re Dreaming, cujo single principal você já ouviu no link ali em cima. De lá para cá, foram inúmeros convites, como compor a trilha sonora do filme Oblivion e parcerias musicais com muita gente em alta no mundo pop (The Killers, as irmãs HAIM…). A ansiedade foi ao máximo quando eles anunciaram álbum novo, e esse ano nós pudemos conferir as novidades de Junk. E elas são boas. Uma sonoridade totalmente oitentista, com uma porrada de sintetizadores e baterias eletrônicas para qualquer nerd e / ou amante do som dos anos 80 ter orgasmos musicais múltiplos. Tem música em inglês, música em francês, música sem letra e o diabo a quatro. Não vá com muita sede ao pote, porém: se o Hurry Up era uma sinfonia intergalática, uma apoteose eletrônica, Junk não se leva tão a sério assim. Então não o leve também, para você ficar mais leve (péssimo trocadilho).

» Ouça / veja “Do It, Try It” no YouTube.

» Ouça Junk no Apple Music.

» Ouça Remonta no Spotify.

“Mahmundi”, por Mahmundi

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Se você já ouviu La Roux e curtiu o som da moça (e se você nunca a ouviu, já pode abrir mais uma aba aí no navegador e fuçar no YouTube), Mahmundi será uma grata surpresa para os seus ouvidos. Melhor ainda: ela é brasileira. Brasileiríssima, eu diria. Apesar do som completamente de um synth pop descarado (o que não é ruim, claro), Mahmundi traz nas letras uma figuratividade que passa por temas caros a nós e à nossa cultura conhecida mundialmente: o sol, o verão, o calor, aquele amor que veio e nos arrebatou. Sua voz embala e seus arranjos vão te colocar um sorriso nos lábios, provavelmente. Ouça Mahmundi. Pra ontem.

» Ouça / veja “Eterno Verão” no YouTube.

» Ouça Mahmundi no Apple Music.

» Ouça Mahmundi no Spotify.

“ANTI”, por Rihanna

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Não vou me repetir tanto na questão que comentei ali em cima quando falei do JoanneANTI, por sua vez, é, de certa maneira, o Joanne de Rihanna. A barbadiana que começou aos poucos, lá em 2005, com um pop bem sem vergonha (mas grudento e, por que não?, gostoso de ouvir), chega, 11 anos depois, no seu inverso mais dark e sensual. O que é ótimo, pois mostra exatamente essa elasticidade que o mundo exige tanto dos artistas atuais. Se o Loud de 2010, como seu próprio nome diz, gritava um bom e velho popzão para as pistas, ANTI pode até seguir a mesma linha, mas para pistas diferentes – bem diferentes. É refrescante ouvir Rihanna retorcer sua dicção, feito uma magia sonora, para encaixar no ritmo alucinante da já clássica “Work”. E o álbum em si é um som muito bem-vindo para a discografia da cantora. Foi um bom adendo pop para a minha disposição musical desse ano. Não pode deixar passar.

» Ouça / veja “Kiss It Better” no YouTube.

» Ouça ANTI no Apple Music.

» Ouça ANTI no Spotify.

“This Is Acting”, por Sia

sia

Talvez você não saiba, mas a Sia é uma das compositoras mais disputadas no meio pop. Já escreveu músicas para muitas outras cantoras, e emprestou seu potente vocal para muito DJ e produtor aí (cof, cof, David Guetta, cof, cof, Titanium). Mesmo que seu apogeu tenha sido, obviamente, a nova-clássica “Chandelier”, o novo álbum da cantora não deixa nem um pouco a desejar. Ela consegue dividir, no mesmo espaço, composições dolorosas e hits pop genuínos, prontinhos para uma pista de dança. A combinação das batidas e os arranjos eletrônicos e sua voz rasgada, muitas vezes sofrida, é o toque agridoce que This Is Acting entrega da maneira mais agradável possível. Para completar, a cantora sabe como divulgar seu trabalho da forma mais imagética possível. Do you love cheap thrills?

» Ouça / veja “Cheap Thrills” no YouTube.

» Ouça This Is Acting no Apple Music.

» Ouça This Is Acting no Spotify.

“Silva Canta Marisa”, por Silva

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Bem, sou suspeito para falar, pois acompanho a carreira do Silva desde 2013. Na época, ele já havia lançado um EP e o primeiro álbum, Claridão. Não demorou muito e veio o segundo disco, Vista Pro Mar, seguido do mais recente, Júpiter. A discografia do capixaba é assunto para um post único, na verdade, então vamos falar mesmo é do seu último projeto, essa coisa fofa chamada Silva Canta Marisa. O cantor foi dando pistas ao longo do ano, postando uma fotenha aqui com Marisa Monte, gravando especial para a TV a cabo com músicas dela lá… até que – , eis álbum novo, só com covers de Marisa Monte. E mais uma música inédita, composta em parceira com ela mesma e com sua participação na faixa. Apesar da releitura de Silva ter alterado de maneira significativa alguns clássicos da Marisa Monte, vale uma conferida justamente para abrir os ouvidos a uma interpretação nova. E o Silva estava inspirado. Não termine o ano sem ouvir.

» Ouça / veja “Noturna (Nada de Novo na Noite) [part. Marisa Monte]” no YouTube.

» Ouça Silva Canta Marisa no Apple Music.

» Ouça Silva canta Marisa no Spotify.