Filmes, Listas

Os 15 Melhores de 2014

Confesso que assisti muitos filmes bons em 2014. Prolongar muito a lista de melhores perderia o efeito, bem, de ser uma lista de fim de ano. Assim como no ano passado, não quero transformar minha lista em um ranking, sugerindo que filme x seja melhor que o filme y; por isso os filmes seguirão ordem alfabética para que você se sinta à vontade e escolha aquele que desejar para sua próxima sessão.

(Coloquei e tirei e coloquei novamente diversos filmes na lista. Mas o corte final é o que se segue)

Pôster: Ignition Print, 2013

12 Anos de Escravidão, 2013; dir: Steve McQueen

Sempre fico com o pé atrás com filmes demasiadamente comentados – ainda mais se for um indicado máximo ao Oscar e a todas aquelas premiações de começo de ano. Admito que não tinha muita curiosidade por 12 Anos de Escravidão, por isso assisti o filme sem expectativas. Mas não tem como: Steve McQueen não se acovarda diante da plateia e não toma atalhos para mostrar a realidade crua e aterradora da escravidão. Não apenas pela história, a obra também vale por seus detalhes técnicos e estéticos, dignos de uma boa discussão cinéfila.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Art Machine & Animal Logic, 2014

Uma Aventura LEGO, 2014; dir: Phil Lord, Christopher Miller

Se com a Pixar – e agora com o Disney Animation Studios – nós nos acostumamos a ver animações que pareciam cada vez mais voltadas para o público adulto, deixando para as crianças as piadas de humor físico e afins, foi uma surpresa boa e divertida assistir Uma Aventura LEGO logo no começo do ano. Repleto de referências à cultura pop e nerd, a animação não se prende a nenhum tipo de seriedade e – melhor – assume as características do universo Lego em todos os aspectos. Frenético, colorido e com piadas na medida certa, o filme veio para competir com as outras animações deste ano.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Os Boxtrolls, 2014; dir: Graham Annable, Anthony Stacchi

O estúdio Laika, após ficar mundialmente conhecido por Coraline, voltou aos cinemas, este ano, com um filme que provavelmente irá agradar mais as crianças quando elas estiverem crescidas. Isso porque Os Boxtrolls, apesar de seu carisma em stopmotion e seus monstrengos simpáticos, possui temas incrivelmente sérios, críticos e que desferem tapas de luva de pelica a todo momento em sua plateia. Desde o 3D de imersão até a sua estética que causa estranheza, o filme merece ser não apenas assistido, mas apreciado – na infância e em outros momentos da vida.

Confira a resenha do filme aqui.

Boyhood (Pôster)

Boyhood: da infância à juventude, 2014; dir: Richard Linklater

A premissa de Boyhood é comum: acompanhar a vida de um garoto até a sua adolescência. O diretor Richard Linklater, no entanto, decidiu usar os mesmos atores e filmá-los ano a ano, conferindo uma experiência cinematográfica interessante e que com certeza levará muitas pessoas a se identificarem com as situações vividas pelo protagonista. Não vá com muitas expectativas, porém: o filme é bom e possui um elenco afinadíssimo, mas vale mais pela experiência do que por seu enredo.

Pôster:  InSync + BemisBalkind, 2014

Chef, 2014; dir: Jon Favreau

Não se entregando à tentação de se passar apenas por um food porn simplista, Chef faz questão de encucar em seu espectador diversas reflexões sobre a vida, principalmente sobre nossas escolhas profissionais e de que forma elas nos influenciam. Favreau conduz o filme de forma leve, além de estar cercado de atores que o deixam à vontade para se transformar em um chef que, aos poucos, aprende o valor da paternidade e de sua profissão.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: aSquared Design Group, 2013

Ela, 2013; dir: Spike Jonze

Spike Jonze conseguiu, de forma bela e onírica, criar uma história de amor entre um homem e uma máquina. Talvez o detalhe mais singelo de Ela não seja a voz melódica de Scarlett Johansson, mas a forma como Jonze conduz sua câmera, registrando uma paleta de cores quentes e um sorriso melancólico na magnífica interpretação de Joaquim Phoenix. Mas o filme não estanca as possibilidades em seu lado bonito; o agridoce de Ela também está nas consequências de um amor que une um ser humano e um sistema operacional que não possui vida real – apenas na cabeça do protagonista.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Kellerhouse Inc, 2014

Garota Exemplar, 2014; dir: David Fincher

David Fincher discutiu mais uma vez com chefões de estúdio, mas seu esforço valeu cada segundo: Garota Exemplar não é só uma das melhores surpresas do ano (realmente esperava mais do filme como obra por causa de Fincher, e menos como história por causa de uma autora que não conhecia), como entrega uma das cenas mais chocantes e impactantes do cinema. É de sair da sessão abestalhado, inconformado e desnorteado com tudo o que se viu na tela da sala escura.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Ignition, 2014

Godzilla, 2014; dir: Gareth Edwards

Muita gente chiou com a nova versão de Godzilla. As reclamações foram vastas: o monstrengo demora para aparecer, muito falatório e pouca ação, filme muito escuro. Mas acredito que os fãs de longa data de Gojira mereciam um filme à altura da fama do monstro japonês, e o filme dirigido por Gareth Edwards cumpre, minimamente, com essa missão.

Confira a resenha do filme aqui.

The Grand Budapest Hotel (Pôster)

O Grande Hotel Budapeste, 2014; dir: Wes Anderson

A estética de Wes Anderson é para poucos. Muitas pessoas se incomodam com os enquadramentos metódicos do diretor e as disposições milimetricamente pensadas em cada frame de seus filmes. Mas O Grande Hotel Budapeste traz, além dos maneirismos já mais do que conhecidos de Anderson, uma história divertida, com personagens carismáticos e uma interessante homenagem metalinguística. O diretor, dessa vez, até ousa com cenas gráficas – e acredite, elas são para gerar humor.

Pôster: BLT Communications

Guardiões da Galáxia, 2014; dir: James Gunn

Não consigo me divertir com os filmes dedicados aos heróis da Marvel. Neste ano, porém, deixei meus princípios pessoais de lado e resolvi dar uma chance para Guardiões da Galáxia. E parece que escolhi bem minha estreia no universo Marvel. Carregado de referências aos anos 80, personagens carismáticos e totalmente desprendidos com qualquer tipo de seriedade, o filme ainda faz questão de ser conduzido por uma trilha sonora retrô, pop e dançante. Meio difícil não se deixar levar pelo grupo de heróis mais desajustado já visto no cinema.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Lacuna Filmes, 2014

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, 2014; dir: Daniel Ribeiro

Esperado desde o lançamento do curta que lhe deu origem, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho encanta não só pela direção segura e pelo roteiro que não se rende a estereótipos baratos: o maior diferencial da obra é apresentar uma história de amor adolescente não defendendo a causa gay, mas usando-a como metáfora para passar a mensagem de que amar não enxerga cor, religião, sexo e etc. O protagonista ser cego só reforça essa mensagem mais do que bem vinda para todas as próximas gerações.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Mecanismo Films, 2013

O Homem Duplicado, 2014; dir: Dennis Villeneuve

Baseado no livro de José Saramago, o longa do diretor canadense não deixa nada mastigado para o espectador. Assistir O Homem Duplicado é tentar encontrar sentido em um emaranhado de sequências e metáforas construídas de forma magistral. A atuação precisa e surpreendente de Jake Gyllenhaal só adiciona mais camadas ao desafio.

Confira a resenha do filme aqui.

Pôster: Concept Arts 2014.

Interestelar, 2014; dir: Christopher Nolan

Interestelar já pode ser considerado o filme em que Christopher Nolan deixa de lado suas preferências cerebrais e engatinha em temas mais emocionais, refletindo, inclusive, sobre o maior deles: o amor. Ligado a isso, o diretor traz uma história que trata sobre o tempo. Em uma projeção que ainda conta com grandes atuações (olá, Matthew McConaughey), efeitos visuais e sonoros que deixam qualquer um vidrado em suas cenas, ainda há tempo para discutir teorias físicas modernas.

Confira a resenha do filme aqui.

Jeune et Jolie (Pôster)

Jovem e Bela, 2013; dir: François Ozon

O mérito do francês Jovem e Bela estar aqui é pelo diretor François Ozon não tratar a protagonista como vítima, mas sim como alguém que assume a prostituição como mera opção de trabalho. Seria curiosidade? Seria prazer? O fato de ser uma adolescente só adiciona mais tempero ao filme belamente fotografado. Leves comparações à Belle de jour são bem aceitas.

Pôster: BLT Communications

O Lobo de Wall Street, 2013; dir: Martin Scorsese

A ideia de assistir Leonardo DiCaprio interpretando um homem inescrupuloso que encontra um meio de ganhar milhões de dólares da maneira mais rápida e ilegal possível, gastando toda a grana com mulheres, sexo, drogas e coisas inimagináveis ao longo de um filme de três horas parece cansativo? Seria, talvez, se O Lobo de Wall Street não tivesse sido dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese. E o ritmo é acelerado além da conta: ao terminar o filme, a impressão é que nós, o público, participamos também de todas as loucuras do protagonista.

Confira a resenha do filme aqui.

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Filmes, Listas

Os 10 Melhores de 2013

Não faz muito sentido escolher os dez melhores filmes e colocá-los em posições determinadas sendo que, entre todos que vi em 2013, os que se destacaram mais são de gêneros muito distintos: drama, terror, aventura e até biográfico. Então aí vai uma pequena e humilde lista dos dez filmes que mais gostei, com todos lançados aqui no Brasil em 2013, e em ordem alfabética para não sugerir erros e controvérsias de classificação. Bons filmes!

To The Wonder (Pôster)Amor Pleno (To The Wonder, dir.: Terrence Malick, 2012)

Terrence Malick cria obras que não são de fácil assimilação. Sempre prezando pela fotografia, contando suas histórias através de imagens e não de diálogos, a narrativa de Amor Pleno acompanha as idas e vindas de um casal, mostrando suas alegrias, suas discussões, seus momentos de felicidade e os de tristeza. É difícil aguentar as quase duas horas do longa, mas vale a pena o esforço pela recompensa cinematográfica que Malick nos presenteia até o final.

Pôster: Cardinal Communications USABlue Jasmine (Blue Jasmine, dir.: Woody Allen, 2013)

Seguindo com o seu costume de lançar um filme por ano, Woody Allen trouxe em 2013 a história da problemática Jasmine e sua meta de renovação de vida. A protagonista, interpretada magistralmente pela bela e talentosa Cate Blanchett, consegue o feito de ter o carinho do público mesmo sendo uma mulher antipática, egoísta e cheia de problemas. Um ótimo salto na qualidade de Allen depois do mediano Para Roma Com Amor. Você pode conferir a resenha do filme clicando aqui.

Pôster: Le Cercle Noir

A Espuma dos Dias (L’écume des jours, dir.: Michel Gondry, 2013)

Com efeitos especiais às antigas e atuações divertidas, o filme baseado no romance de Boris Vian traz uma história fantasiosa, mas com críticas ácidas e problemáticas atuais. Destaque para os inventivos efeitos em stop motion e para as pernas longas e destoadas dos personagens quando vão dançar, tudo lembrando um bom e velho desenho animado. Leia a resenha do filme aqui.

Gravity (Pôster)

Gravidade (Gravity, dir.: Alfonso Cuarón, 2013)

A agradável surpresa do ano veio com Gravidade. Apesar da história simplória e da economia dos personagens, Cuarón criou uma obra cinematográfica de encher os olhos de qualquer cinéfilo, provando que sabe contar uma história que tem como base uma gama diversa de efeitos visuais e de que sabe fazer uso legítimo do 3D. Acompanhar os minutos desesperadores da astronauta interpretada por Sandra Bullock é testar os nervos do começo ao fim da sessão. Assista quando estiver disposto a encarar o filme!

Pôster: Art Machine

Pôster: Art Machine

Hobbit: A Desolação de Smaug (The Hobbit: The Desolation of Smaug, dir.: Peter Jackson, 2013)

Apesar de esticar muito a simples história contada por J. R. R. Tolkien, Peter Jackson parece ter acertado um pouco melhor a mão na segunda parte da trilogia cinematográfica que decidiu fazer para O Hobbit. Vale pagar um ingresso mais caro pra assistir o filme em high frame rate e curtir um 3D menos agressivo aos olhos. Mesmo com Jackson não sabendo utilizar muito bem a ferramenta ainda. Leia a resenha sobre o filme e saiba mais o que significa assisti-lo em 48 quadros por segundo aqui.

Man of Steel (Pôster)

Homem de Aço (Man of Steel, dir.: Zack Snyder, 2013)

Renovando a franquia do Superman, Zack Snyder entregou um filme que passeia pelos problemas da infância e adolescência de Clark Kent, além de criar uma luta entre Superman e o vilão que lembrou muito a pancadaria de Dragonball Z, o desenho. Fôlego retomado para mais filmes, com certeza. Boa atuação de Henry Cavill, além de que, claro, teve uma mãozinha do Tio Nolan pra dar um tapa na franquia.

The Conjuring (Pôster)Invocação do Mal (The Conjuring, dir.: James Wan, 2013)

Há muito tempo um filme de terror não me assustava de verdade. Acostumados a ver mais e mais capítulos de franquias como Atividade Paranormal nos cinemas, James Wan trouxe o verdadeiro terror de volta às telas contando a história de uma família que sofre com possessões, aparições e companhia limitada em sua própria casa. É a velha história dos filmes, mas com um tratamento renovado e sustos que vão fazer você pular, literalmente, da cadeira. Boa sorte se for assistir! Destaque para a ótima atuação de Vera Farmiga e a aparição da horrorosa boneca Annabelle.        

The Hunger Games - Catching Fire (Pôster)

Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, dir.: Francis Lawrence, 2013)

Jennifer Lawrence voltou pra encarnar Katniss Everdeen nos cinemas e provar que merece toda a atenção que recebe por sua atuação. Mais político que o primeiro, Em Chamas mostra o sofrimento de Katniss e Peeta, forçados a jogar novamente os Hunger Games, além de protagonizarem um romance midiático falso para atrair a atenção dos espectadores famintos por sangue. Depois da lamentação sem fim e vazia de cinco filmes d’A Saga Crepúsculo, é um alívio assistir uma franquia voltada para o público jovem que realmente respeita a inteligência de seus espectadores (e também leitores).

Evil Dead (Pôster)A Morte do Demônio (Evil Dead, dir: Fede Alvarez, 2013)

Na onda de remakes hollywoodianos, A Morte do Demônio surpreendeu ao mostrar uma versão repaginada do clássico trash dirigido por Sam Raimi nos anos 80 de forma gráfica, violenta e nada engraçada. O filme deve ser conferido pelos fãs de terror. Aos que não são, é melhor dar um chance quando estiverem bem do estômago…

Renoir (Pôster)

Renoir (Renoir, dir: Gilles Bourdos, 2012)

O filme conta uma parcela da vida do pintor francês Pierre-Auguste Renoir. Estão no longa a relação do pintor com uma de suas musas, a bela Andrée, o problema sério de artrite que torturava o artista e as suas opiniões sobre política, guerra, pintura, arte, entre outras. Destaque máximo para as belas paisagens francesas, vivamente fotografadas. Uma boa pedida para quem gosta de filmes franceses.

Algumas menções: além dos dez principais filmes, vale indicar mais alguns: V/H/S 2, Jobs, Universidade Monstros e Círculo de Fogo.

Boa escolha, boa pipoca e boa sessão!

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