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Frozen: Uma Aventura Congelante

É engraçado notar que, após a venda da Pixar, a Disney passou a produzir animações com personagens cativantes, visual técnico rico e enredos consistentes. Começou com Enrolados (Tangled, 2010), passou por Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012) e agora culmina em Frozen: Uma Aventura Congelante, que já se tornou um grande sucesso nos EUA.

Baseada no livro de Hans Christian Andersen, famoso escritor de contos de fada, o filme conta a relação entre duas irmãs, filhas de um rei. Anna, a caçula, adora brincar e sempre convida a irmã mais velha, Elsa, para seus jogos. As duas crianças são diferentes em um ponto, porém: enquanto Anna é uma criança comum, Elsa possui poderes mágicos. Quando quer, ela consegue soltar raios das mãos, criando estalagmites e estalactites de gelo, congelando o chão e as paredes, e, se quiser, consegue transformar um cômodo inteiro em um ringue de patinação. Em uma dessas brincadeiras, Elsa atinge a cabeça da irmã com um de seus raios. O rei e a rainha, preocupados com a saúde da filha, conseguem a ajuda especial de trolls das montanhas, que curam Anna, mas com a condição de que ela esquecesse o que havia acontecido, além da irmã possuir poderes. O rei, então, decide isolar as irmãs, separando-as em quartos diferentes. Quando os pais falecem, Elsa torna-se a rainha: é justamente quando seus poderes voltam à tona.

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

O triunfo de Frozen é sua estrutura simples de conto de fada, que não ousa ir além e, exatamente por essa escolha, acaba não se complicando. O filme, afinal, é visivelmente direcionado para o público infantil, apesar de inserir piadas que agradam os adultos. Mas é também pela presença de personagens que, apesar de não escaparem dos estereótipos típicos de um conto fantástico, conseguem ter um desenvolvimento no desenrolar da história que Frozen captura a atenção do público, mesmo sendo interrompido, a todo instante, por uma música-tema (praticamente todos os personagens cantam uma canção própria, mas esse ponto comento mais pra frente).

Contando com uma equipe encabeçada pela produção de nada menos que John Lasseter, a qualidade técnica da animação surpreende: o uso do 3D apenas beneficia os cenários construídos no computador, criando camadas que começam desde uma profundidade realista até objetos que se projetam para fora da tela (as pontas das estalagmites geladas criadas por Elsa constantemente escapam do cenário, furando os olhos de quem usa os óculos especiais pra ver o filme). É um uso interessante, pois a terceira dimensão foi pensada juntamente com o desenvolvimento do filme, e não depois, criando um efeito orgânico. O 3D também deixa mais real os vários flocos de neve, neblina, galhos e manifestações naturais dos ambientes, proporcionando uma experiência agradável para as crianças, principalmente.

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

Frozen também conta com dois personagens que servem de alívio cômico em diversas situações e que são imediatamente carismáticos: Sven, a rena de Kristoff, um rapaz que ajuda Anna, que, apesar de não falar, consegue expressar muito bem suas opiniões (seja através de Kristoff, seja por si mesmo); e Olaf, um boneco de neve mágico, criado por Elsa: simplesmente um dos melhores personagens de animação desde, talvez, a esquecida Dory (também beneficiado pela boa dublagem brasileira, sempre competente nas produções da Disney – quando não resolve escalar o Luciano Huck (!) para o trabalho).

Contando uma história agradável de acompanhar, com personagens bem entrosados e desenvolvidos, um visual muito bem construído e ainda dando-se a liberdade de incluir uma reviravolta no roteiro, Frozen: Uma Aventura Congelante é um bom filme Disney. As músicas, que a todo momento entram pra ajudar a contar a história, quebram um pouco o ritmo em alguns momentos da narrativa, mas compensam por suas composições emocionantes e divertidas. Não seria um filme da Disney sem a presença delas, afinal.

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

Imagem: Walt Disney Pictures, 2013

Nota: seguindo a tradição Pixar, antes de Frozen há um divertido curta-metragem intitulado Get a Horse! e protagonizado pelo Mickey das antigas. No entanto, é um curta que precisa ser assistido em 3D pra ser cem por cento aproveitado.

Pôster: Proof

Pôster: Proof

Frozen, dirigido por: Chris Buck e Jennifer Lee; escrito por: Jennifer Lee (baseado na obra de Hans Christian Andersen).

Originalmente com as vozes de: Kristen Bell, Idina Menzel, Jonathan Groff, Santino Fontana, Josh Gad.

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2 comentários sobre “Frozen: Uma Aventura Congelante

  1. oi, Ewerton!

    Gostei do seu ponto de vista sobre o desenho. Também concordo contigo que as músicas quebraram o ritmo da narrativa, apesar de serem belas composições. Sinto falta daquela harmonia musical que vi em Mulan, Alladin, etc. :D!

  2. ewertonmera disse:

    Oi, Nanuka.

    Realmente… em alguns momentos as músicas cansam quem está assistindo. Ainda bem que o filme sobrepõe em qualidade essa quebra na narrativa. Também sinto falta das composições em momentos certos, como em O Rei Leão, que não se tornou clássico à tôa.

    Obrigado pelo comentário e volte sempre!

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